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terça-feira, 18 de novembro de 2008

Ter fé é egoísmo (ou o fim do mundo).

Num determinado dia, em meados da década de 1980, eu estava fazendo cocô na casa da minha tia mais velha. Lembro que quatro coisas em particular me chamavam a atenção naquele banheiro. A primeira era o tamanho. Provavelmente era o maior banheiro que já havia visto até aquele momento da minha vida. A segunda era um par de halteres verdes que ficavam em um dos cantos do banheiro. Eu sei que eram verdes, mas quase não havia mais verde ali. A tinta estava quase toda descascada, dando vista ao metal enferrujado. Não lembro exatamente quanto pesava cada um dos halteres, mas lembro que na época eu mal conseguia erguê-los do chão. A terceira coisa era um escovão de banho. Eu tinha um pouco de nojo daquilo; ficava imaginando minha tia usando-o das formas mais impróprias. A quarta coisa que me chamava a atenção (e a raison d'être desse texto) era um adesivo circular colado na porta cinza que dizia "Crer é poder." Lembro que na época eu nunca entendi direito o que aquela frase tão direta e simplória queria dizer, e talvez seja precisamente por conta da minha ignorância que aquele adesivo me causara um verdadeiro fascínio (tanto que estou aqui escrevendo isso cerca de duas décadas depois de limpar a bunda lendo que ter fé confere poder).

Nota de meio de texto: Longe de mim acreditar que eu tenho condições de fazer uso nesse texto de palavras como "poder", "fé", "desejo", entre outras, considerando a vasta gama de significações que estas carregam hoje; significações estas que tão exemplares pensadores dedicaram suas vidas a desenvolvendo. Assim, reservo-me o direito de reduzi-las a seu uso corriqueiro, afinal, estamos na internet, num blog pessoal que ninguém nem lê. Estamos na minha arrogante e minúscula meta-narrativa.

Quando entramos no campo da religião do povo (não dos teólogos apreciadores do bom vinho e do cheiro de mofo), "crer", "acreditar", "ter fé" são conceitos que se misturam. Se pudermos crê-los sinônimos, afirmo sem medo: Crer, ou ter fé não tem absolutamente nada com poder, com conseguir. Nada mesmo. Eu queria poder até dizer que crer é o avesso de poder, mas algo em mim diz que esse seria um passo longo demais a ser dado, então me limito à máxima: Crer é poder não poder. Em outras palavras, ter fé é se dar o luxo de não conseguir; é viver com isso; é inverter o princípio que inicialmente motiva a própria crença. Elaboremos juntos essa idéia:

Se é difícil (ou, quem sabe, impossível) invalidar a fé enquanto conceito, podemos, pelo menos, colocá-la numa posição de embaraço. Vejamos: acreditar que crer é poder, que a fé de alguma forma leva a um resultado positivo e factual em relação às necessidades, desejos, anseios do fiel só pode levar a dois resultados: a) A uma espécie de implosão do universo, que viraria ao avesso, se auto-devoraria e, em seguida, defecaria uma quantidade considerável de anti-matéria; b) À idéia de que ter fé é, em princípio, egoísta.

Na alternativa a temos uma espécie de fim do mundo, juízo final, apocalipse, armageddon (ou a qualquer outro termo bíblico análogo e hollywoodianamente engraçado). Esse fim do mundo aconteceria quando levamos em conta a seguinte lógica: Digamos que uma pessoa tenha fé e, por ter fé, consegue tudo o que quer. Uma outra pessoa (seu vizinho, talvez) tem fé na mesma intensidade que a primeira pessoa e por um acaso do destino, deseja exatamente a mesma coisa que seu rival de fé. O que acontece? Provavelmente os dois se desmaterializariam sugados por um mini-buraco-negro que, de súbito, surgira em suas axilas esquerdas. Agora, pensemos agora numa escala global: todas as pessoas tendo fé igualmente. Aquilo que seria o sonho molhado de qualquer beata, transformar-se-ia no seu maior pesadelo. Vivemos num planeta que não possui matéria prima e humana (no caso dos desejos impróprios) suficientes para que todos os seis bilhões de habitantes possam ter fé e, em conseqüência dessa fé, realizar seus sonhos. Se todos realmente acreditassem (e se crer realmente fosse poder), o mundo se esgotaria e comeria a si mesmo. Bum. Blargh. Flush.

Mas calma! Caaaalma! Não precisa correr para as colinas... Ainda podemos ter esperança. Se crer realmente for poder, ainda podemos evitar o fim do mundo. Para tal, é necessário apenas que optemos pela alternativa b já citada. Em outras palavras, temos que torcer para que a maioria das pessoas do mundo não tenham fé; torcer para que apenas nós possamos realmente crer e poder! e, conseguinte, poderemos realizar nossos sonhos. Sendo assim, da próxima vez que for à missa, lembre de colocar aquela gota de cicuta no vinho do padre. Um padre a menos, menos fé no mundo, mais chance de você realizar seus desejos, mais matéria prima e humana para saciar as necessidades da carne.

O grande problema é que se essa alternativa b procedesse, o dinheiro sempre estaria nas mãos dos fiéis, nunca nas mãos da igreja. Por isso, sou obrigado a retornar ao terceiro parágrafo, onde observei que crer é poder não poder.

Só me resta ter fé que ter fé, na verdade, lhe permite não realizar seus desejos de uma forma mais (in)digna. Só me resta acreditar que crer não lhe confere nenhum tipo de poder, mas lhe permite olhar pra frente e viver pensando que você acredita em alguma coisa, quando na verdade você já não acredita mais nem em si mesmo. Lhe permite colar um adesivo circular na porta do banheiro e todo dia, antes do banho matinal, olhar para ele esperando extrair alguma força dali.

Se eu soubesse disso na época em que fazia cocô tentando levantar halteres pesados demais para mim, teria limpado a bunda com o adesivo da minha tia até não conseguir ler mais que crer é poder.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Enquanto isso, no Orkut...

...a conveniência premonitória rola solta:

Sorte de hoje: Se seus desejos não forem extravagantes, eles serão realizados.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Fragmento do fragmento: "Paradoxo taxonômico".

AQUELE QUE NÃO SABE: "Existem dois tipos de pessoas no mundo: as coerentes e as que sempre entram em contradição."

AQUELE QUE NÃO SABE QUE NÃO SABE: "Errado. Existem dois tipos de pessoas no mundo: as que pensam que o mundo pode ser facilmente classificável em pequenos grupos de pessoas e as que percebem a impossibilidade de tal ato, aceitando o mundo em toda a sua complexidade. Eu, particularmente, me incluo no segundo grupo."

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Acômico #001: O espirro-código e a verdade.

Sabe quando alguém fala a palavra "mentira" ao mesmo tempo em que finge estar espirrando? Qual a real graça disso? Alguém pode me dizer? Caralho!

Bom, deixa eu me recompor...

Confesso que, aqui, estou partindo do princípio de que essa atitude de chamar alguém de mentiroso através de um falso espirro tenha, em princípio, uma finalidade de ordem cômica. Falo isso porque na totalidade dos casos que presenciei, as pessoas riam daquele que projetava o espirro para, em seguida, o próprio rir de si mesmo; deixando, na maioria dos casos, o alvo do espirro acusatório absolutamente sem graça.

Disso, acredito que o fato do acusado desconcertar-se diante da situação é um forte indício de que a maioria de nós consegue distinguir um espirro original desse espirro que articula verbalmente a palavra "mentira". Então, se de fato somos dotados de tais faculdades de distinção, eliminamos a possibilidade desse espirro falso ter como pretensão o honrado objetivo de alertar uma terceira pessoa das possíveis inverdades contidas na narrativa do acusado.

Se assim fosse, a mensagem passada do espirrador para a humilde vítima das pretensas mentiras do narrador seria a seguinte: "Querido amigo, não deves estar ciente do que está a lhe acontecer, mas na verdade estais sendo vítima de um verdadeiro bandido; refiro-me, claro, ao malévolo narrador ao qual agora escutas com atenção indevida; sua narrativa é recheada de inverdades que visam, como é natural de todas as inverdades, destruir a sua felicidade e, por fim, a sua vida; por isso, presta atenção nesse meu código."

Pensando bem, sejamos mais prudentes nessa análise. Alguém poderia contra-argumentar que ao objetivar tal alerta não necessariamente, em princípio, tal espirro também tomaria por rumo a completa discrição. Em outras palavras, cogitemos a possibilidade daquele que espirra não ter a mínima preocupação em esconder do acusado de mentir a ajuda que está a prestar para a segunda pessoa, que ouve passivamente e, por que não, amigavelmente as supostas falácias. Talvez, assim, a honraria se mantivesse. Pensando assim, o objetivo do espirro falso seria alertar um desatento ouvinte das mentiras do narrador sem preocupar-se com o fato do narrador estar presente e ciente do alerta.

Suponhamos tal possibilidade somente afim de pretender rigidez e seriedade na nossa argumentação. Portanto, ao pensarmos em tal possibilidade, o acusador, ao espirrar, estaria passando a seguinte mensagem para o narrador: "Apesar de estares certo de que estamos caindo passivamente nessa sua história recheada de nojentas inverdades, deverias estar certo de que eu possuo as faculdades mentais necessárias para dar conta não só de identificar suas porcas mentiras, como também de alertar todos os ouvintes através de um falso código que, no fundo, sei que será compreendido também por ti, o que te coloca numa posição de absoluta humilhação diante dos risos daqueles que antes te adoravam, maldito."

Na verdade, a possibilidade ou a impossibilidade do que foi levantado no penúltimo parágrafo em nada afeta a real condição essencialmente acômica do falso espirro. Mesmo que o espirrador saiba que o acusado entenderá sua pseudo-codificação, o falso espirro ainda não deveria provocar a hilaridade, visto que não passaria de uma agressão sem qualquer argumentação dirigida a um atencioso narrador.

Então, porque bananas as pessoas riem desse espirro-código?

Sugiro aqui uma hipótese que origina-se do fato de que são muitas as expressões acômicas que por alguma subversão lingüística perdida no passado vieram a tornar-se hilárias em alguma situação específica. Tal especificidade, no entanto, esvanece-se no tempo, restando apenas o comum ato social de rir de coisas que não fazem sentido nenhum. Tal seria o caso do espirro acusatório. Nesse caso, rimos mais por educação ou por uma miserável pena daquele que espirra enquanto balbucia a palavra "mentira".

Dessas duas possibilidades, sinto-me inclinado a acreditar que o riso se dá mais por pena mesmo. Mas não é uma pena simplória e reduzida à condição de sentimento de conceituação digna de um mini-dicionário escolar. É uma pena que ao mesmo trás consigo também medo e compaixão. Como quando rimos sem vontade da piada contada pelo nosso chefe ou pela nossa recém-conquistada namorada.

Por fim, o verdadeiro código dessa situação que aqui analisamos não reside no espirro, mas no riso daqueles que, no fundo, desprezam aquele que espirrou ao mesmo tempo em que, humilhantemente, tentava verbalizar a palavra "mentira". Dessa forma, a mensagem codificada e emitida por tal riso é a seguinte: "Infeliz e detestável indivíduo que agora finges ser portador de um resfriado, será que não percebes que a mistura que executa entre o ato animal de espirrar e a verbalização da palavra 'mentira' nada mais faz do que colocar-lhe numa posição de total inferioridade diante de nós, detentores de raciocínio claro o suficiente para julgar por conta própria o que desejamos tomar por verdade ou não? Será que não percebes que a verdade não é aquela que nosso amigável narrador emite, ou muito menos aquela que, por clara ineficiência intelectual de tua parte, alerta-nos? A verdade é nada mais o resultado dos nossos filtros mentais; é um caleidoscópio de conexões de realidades distintas, mas indistinguíveis. Portanto, por acreditar que é o máximo que merece, ofereço-lhe o meu riso na esperança de que um dia saia dessa gaiola que criastes para ti mesmo."

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

A condição paradoxal do design.

Encontrei essa imagem circulando pela internet. Na minha opinião essa placa de "cuidado com a placa" trata-se de uma síntese da condição paradoxal do design cada vez mais evidente conforme percorrermos o século XXI. Se, como muitos dizem, fazer design é solucionar problemas, o design está se tornando cada vez mais o seu próprio problema a ser solucionado.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Engraçado pra mim: a sina da violência.

Não entendo porque dizem que essa ou aquela cidade é violenta. Não é a cidade que é violenta. São as pessoas que ali vivem. E, mesmo assim, não me parece correto chamar esse ou aquele de bandido ou assassino. Excentricidades gastronômicas existem e não devem ser descriminadas, nem mesmo aquelas que envolvem o apreço à corpos bulbosos de metal assados.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Figuras não são só figuras | Anadiplose

Qual é mesmo o seu nome?

Anadiplose é o meu nome. Nome daqueles que se explicam ou se completam mesmo diante do vazio da falta de curiosidade. Nome dos que se repetem a esmo sem esperança de voltar ao início do que estava a construir.

Mas, creio, só por perguntar o seu nome já demonstro um certo interesse, não?

Depende da razão. Razão pela qual formulou sua pergunta, ou ao menos, pela qual a verbalizou.

Confesso que a pergunta me escapou. Foi sem pensar.

Nesse caso, aprecio-te. Aprecio-te pelo caráter. Aprecio-te, principalmente, pela elegância com que escondes de mim o fato de ter feito a pergunta que deu início a esse diálogo a fim de permitir que esse post tome forma.

Não se apresse, Anadiplose. Assim você você acaba se confundindo com outro do seu tipo.

Na verdade somos todos um. Somos todos o mesmo. Somos todos você.

sábado, 29 de setembro de 2007

Silêncio: Durkheim e as cebolas.

Retirado dos Arquivos do Silêncio, 2004:

Certo dia eu sonhei que lia Èmile Durkheim. Acordei me sentindo gordo. No espelho me vi como uma cebola gigante! Por alguma razão irracional, não me importava em ser uma cebola-humana dali em diante. Estava esperançoso.

Algumas pessoas aceitaram com facilidade o fato de eu ter me transformado numa cebola; mas a grande maioria me tratava com desprezo e indiferença. No inicio eu não ligava. Meus amigos eram suficientemente amáveis para que eu mantivesse minha auto-estima num nível tolerável.

Fui feliz durante uma grande parte da vida pensando como uma cebola e fazendo algumas pessoas ao meu redor pensar igualmente. Cheguei a encontrar pessoas que haviam se transformado em tomates, alfaces, cenouras e, alguns poucos, em cebolas também.

O tempo foi passando e o desprezo que os humanos expressavam por mim passou a incomodar. Ninguém parecia estar com fome. Ou seriam todos carnívoros? A salada apodreceu. Eu, desesperado, com uma faca na mão, me cortei. Fatias de cebola voaram para todos os lados...

Pela primeira vez vi pessoas chorarem por mim. Por mim?

domingo, 26 de agosto de 2007

A taxonomia definitiva.

O texto abaixo é um fragmento de uma idéia originalmente concebida por mim e Ramon (Ayres). Hoje essa texto é peça fundamental no meu profile do Orkut.

Hoje eu acordei com uma idéia inacreditável na cabeça.

Qual?

Foi completamente do nada. Simplesmente surgiu! E com medo de perder a idéia me levantei rapidão, catei um papel, mas não achei nem caneta nem lápis.

Não tinha no estojo?

Aí é que está: não achei o estojo. Entrei logo em desespero porque a idéia que eu tive era daquelas que, se bem aplicada, pode mudar a vida de uma pessoa para sempre.
Será que não ficou na universidade?

O quê?

O estojo.

Foi o que eu tinha pensado. Entrei na internet pra procurar o número do telefone da universidade e quando liguei pra lá ninguém sabia dizer exatamente se existia ou não algum setor de achados e perdidos.

E porque você não anotou sua idéia no bloco de notas do computador.

Putz, é verdade. Nem pensei nisso. Acabei focando no estojo. Só sei que quando cheguei lá me dei conta que a carteira da biblioteca tinha ficado em casa, e o único lugar onde eu poderia ter esquecido o estojo era na sala de estudo da biblioteca. Sempre chego, sento, arrumo os livros e coloco o estojo do lado.

Odeio esse sistema de só poder entrar com a carteira.

E eu não? Briguei feio com o segurança.

Mas você ainda se lembra da idéia?

Lembro, mas com menos detalhes.

Diz aí.

Você sabe o que é uma taxonomia?

Não.

É tipo um apanhado de informações classificadas com um determinado critério com o objetivo de organizar alguma coisa. Tipo a classificação dos organismos vivos em reinos, famílias, aquele lance todo, entende?

Isso é uma taxonomia?

Bem resumidamente, sim.

He, he, he.

O que foi?

Nada.

Diz, pô. O que foi?

Besteira, rapaz.

Putz, diz aí, caralho!

É que pelo nome eu pensava que tinha alguma coisa a ver com gado.

Gado? Tipo boi?

É. Eu falei que era besteira. Fala logo sua idéia.

Tá, mas como diabos taxonomia teria a ver com boi? Se você falasse que tinha algo a ver com taxas do governo ou algo parecido, tudo bem... mas boi?

Pô, se tivesse algo a ver com taxas do governo seria muito óbvio. Minha mente não é assim tão barata.

Ah, então associar taxonomia à população bovina é sinal de refinamento intelectual agora?

Só estou dizendo que não costumo pensar sempre o óbvio. Associar taxonomia a algo relacionado a taxas só porque aparentemente o radical das palavras é o mesmo é coisa pra estudante do nível médio.

Mas o radical não é o mesmo.

Não importa. Diz logo a idéia.

Tá, eu tinha pensado que seria muito interessante para o mundo gerar uma taxonomia de tipos físicos.

Essa é a sua grande idéia, pensador?

Não dispense a idéia tão rapidamente. Ela não seria uma taxonomia qualquer, pois isso até já existe. Calma, calma, não saia. Escute primeiro. Essa taxonomia seria capaz de uma precisão impossível de encontrar no que vemos hoje.

Cara, essa idéia de classificar tipos físicos me cheira um tanto nazista.

Não seja barato, meu caro. Assim você me ofende. Escute o que tenho a dizer. O mundo precisa de uma taxonomia nesse sentido, mas uma que seja absolutamente precisa. Uma que não deixe espaço para dúvidas. Aquele bandido que levou meu estojo, por exemplo, poderia ter sido observado por uma testemunha cujo depoimento para a polícia (se calcado na minha taxonomia) descreveria o meliante com tanta propriedade que nem mesmo uma fotografia do mesmo seria tão clara. Seria uma resposta do tipo “o assaltante era um Arauto 16 Leopoldino 211 Matusalém 2 Quadrado Jupteriano 823.”

...

O que achou? Onde você está indo? Espere. Pare aí. Ei, alguém segure esse Guagalupe 21 Rubro 89 Venerado Ulampiano 302!

sábado, 23 de junho de 2007

I see you, you see me.

Desde muito pequeno especulo em torno dessa assertiva: se eu posso ver alguém, esse mesmo alguém, conseqüentemente, pode me ver. Sei que, a princípio, parece uma constatação um tanto óbvia, mas não sei se de fato o é. Sinto, na minha limitação, que essa é uma questão de ordem lógica cuja averiguação empírica se daria através do campo da física, mas nem disso tenho certeza. Peço perdão ao leitor por isso. Meu cérebro não consegue se projetar com precisão nesse universo enganosamente exato.


Aqui onde moro as vezes fico olhando através de um dos buracos destinados à ocupação dos (inexistentes) condicionadores de ar e imaginando se alguém do outro edifício, olhando na mesma direção, poderia me ver com a mesma clareza que os vejo. Com a mesma lucidez onírica. Suas formas ondulantes. Suas cores saturadas. Sua inocência cegueta. Ah, o desconhecido...

Ao mesmo tempo me preocupo. Penso, quieto, que se de fato os moradores do edifício defronte forem detentores do mesmo poder que daqui me orgulho ser possuidor, transformo-me numa paródia de mim mesmo, espelhado como Narcíso no seu universo particular.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Apurando a urêa.

Hoje eu estava no ponto de ônibus pensando sobre como funciona o processo evolutivo dos nossos sentidos (visão, audição, olfato, tato e paladar) enquanto escutava Björk sem entender exatamente como eu havia aprendido a apreciar aquele som esquisito. Como é possível, por insistência, passar a gostar de algo que tínhamos repulsa no passado? Essa é uma pergunta complexa e que exige uma resposta complexa, mas dela pode-se esboçar algumas anotações regadas a cerveja. Por exemplo, chamo aqui essa adaptação dos sentidos de processo evolutivo por dois motivos: a) trata-se de um processo porque pode-se atestar empiricamente que não se dá da noite para ou dia, levando (de acordo com uma série de necessidades) um determinado tempo para se concretizar; b) trata-se de uma evolução no sentido negativo-positivo, ou simples-complexo, levando-se em conta que esse seja o sentido recorrentemente encontrado em todo e qualquer aspecto da natureza.

Acreditando-se nesse dois pontos elimina-se por completo qualquer valor do patético argumento freqüentemente utilizado por aqueles se negam a despender esforço psíquico e cognitivo na compreensão através dos sentidos, de determinados objetos. Refiro-me (e aqui dou espaço a um inevitável sentimento de asco) exatamente à frases do seguinte naipe: "Música boa é aquela que você gosta de primeira... é ridículo ter que ouvi-la várias vezes pra gostar."

(Porra. Tal frase só pode ter saído de um hominídeo que teve muita sorte de chegar nesse nível de evolução biológica em que nos encontramos. Quero deixar claro também que trata-se de uma versão crua, mas claramente editada por mim, visto que tal criatura não saberia o princípio básico do uso da ênclise. Além disso, pode parecer que estou, aqui, gerando um evidente juízo de valor, onde "música boa" seria referente ao que chamo de evolução positiva ou que vai em sentido a uma complexidade. Isso não é totalmente verdade. Emito juízo de valor sim, mas não nessa ordem. Explicarei mais abaixo o que entendo por complexidade.)

Björk feliz da vida...

Em outras palavras: assim como aprendemos a gostar do sabor de uma cerveja gelada, ou daquela salada que sua mãe insistia tanto pra você comer na infância, podemos aprender a apreciar sons que a princípio nos soam estranhos e alienígenas. Uma boa música pop é aquela que não exige tal aprendizado. Essa é a favorita do hominídeo sortudo. E conforme a complexidade da música aumenta, através de camadas e texturas sonoras ou através de uma descontextualização social e estranheza com a mesma, vai-se exigindo do ouvinte um melhor apuro dos órgãos responsáveis pela audição. E, pelo que me parece, trata-se de um apuro que se dá através de treinamento, repetição e por uma série de outros valores e significados que se expandem numa escala sócio-cultural.

Trato dessa questão também nesse âmbito sócio-cultural porque acredito que seja possível apreciar com mais eficácia uma determinada música por esta tratar-se do hino do seu time de coração; ou por estar a tocar num determinado e importante momento da sua vida que ficou marcado na memória.

Acredito também que essa evolução da nossa capacidade de apreciar sons complexos não pode, em hipótese nenhuma (exceto, talvez, por dano cerebral) involuir. Ou seja, quando sua capacidade cognitiva referente ao som se habitua a um determinado complexo sonoro, para sempre se estará preparado a compreendê-lo. E, repito, esse som complexo não precisa necessariamente ser um Stravinsky, mas um Babau do Pandeiro.

Agora, porém, fico com um pouco da musa que me fez começar esse post pobre e desconexo: Björk.

sábado, 2 de junho de 2007

A caneta de ouro.

Tomei umas cervejas e estava visitando uns sites enquanto Jô passava na TV atrás de mim. Só ouvi essa frase: "O problema é material? Toma essa caneta de ouro e escreve um romance, então."

Perfeito.

Essa frase denuncia e desmascara a pobreza criativa em dois lances. Material é a última coisa que importa quando o assunto é criação e inteligência artística. Quem é bom, é. Quem não é compra CD dos outros.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Da rigidez à impotência, ao Wikipedia.

Eu acredito num pensamento assistemático, sem definições fechadas, obrigações metodológicas ou engaiolamentos temáticos. Pensamento bom é pensamento cru. Desdobrar é pedir desnecessárias desculpas pela crueza das verdades que construímos através da nossa experiência pessoal. Talvez eu até exclua dessa minha crítica desdobramentos com finalidades puramente didáticas, visto que a inexistência desses didatismos colocaria em risco de colapso o próprio sistema educacional do mundo em que vivo (não que tal colapso seja tão ruim quanto soe, mas sem dúvida seria um inconveniente social pelo qual não quero me sentir nem um pouco responsável e nem esse é o meu objetivo), mas no geral a construção do saber vem se dado em fórmulas, que é precisamente o que aqui condeno. Ainda carregamos toneladas do pensamento cartesiano e somos influenciados por este em determinadas tomadas de decisões que fazemos no decorrer da vida. Quem nunca achou que precisava deixar o coração de lado numa busca por resposta a alguma questão em particular? Essa idéia de que o coração pode, de alguma forma, ser deixado de lado ou ao menos ter suas influências diabólicas diluídas num substrato dito racional é essencialmente equivocada. Fazê-lo seria anular o que nos faz verdadeiramente humanos. Somos constituídos fundamentalmente de pensamentos, e esses pensamentos não se classificam em puramente racionais ou emotivos, em verdadeiras ou falsos, em plausíveis ou implausíveis. Esses pensamentos são fluidos ativos e inativos ao mesmo tempo. Bons e maus.

Sistematizar idéias e gerar taxonomias pode até ser interessante num processo de introdução e apresentação de pensamentos (admito... talvez...), mas não o é no Mundo Ideal, num mundo onde todos se reconheçam como seres humanos pensantes e orgulhem-se da compreensão que fazem das suas próprias idéias, sejam estas compartilhadas ou não. Se for para existir desdobramentos, que sejam antes da idéia sair da cabeça que a gerou.

Ou talvez eu esteja sendo absolutamente paradoxal e ridículo nessas minha idéia admitidamente ainda patética e com profundidade de uma poça d'água, mas promissora naquilo que eu entendo como meu próprio universo e verdade. Uma verdade que se deleita ao encontrar paradoxos cômicos como o meu amor pelo conceito por trás do Wikipedia, que nada mais é do que o exemplo máximo do que seria uma mega taxonomia pós-moderna do mundo a la Matrix.

Ah, como eu me orgulho de ser uma pessoa contraditória...

terça-feira, 8 de maio de 2007

Abóroras, raízes e ecos.

Tenho a certeza de que se eu passar batom, pintar o rosto, pendurar uma abóbora em cada uma das minhas orelhas, chegar num balcão de uma loja e perguntar se tem camisas listradas tamanho M a primeira coisa que notarão em mim é meu sotaque. Tem sido assim desde que cheguei. Até as pessoas que eu vejo quase todos os dias parecem não se habituar com o meu jeito de falar. Para mim, abrir a boca no Rio é (independente do que eu esteja falando) contar a breve história: "Olá, eu sou nordestino e claramente ainda não me sinto totalmente familiarizado com esse jeito de falar moderno da cidade grande," e só depois dessa introdução a pessoa parece ouvir algo que realmente disse, tipo "onde fica o bebedouro mais próximo?"

Eu não os culpo. Admito até que está cada vez mais esquisito ouvir a minha própria voz. Aqui onde todo mundo fala manso, a brutalidade quase germânica do sotaque sergipano fica em evidência sempre que abro a boca. E com o passar do tempo estou começando a adquirir um estranhamento por esses sons carregados de uma história pessoal que eu mesmo emito. Sabe quando você grava sua voz, depois escuta e não acredita que você realmente soe assim? Pois é. Estou tendo essa sensação sempre que falo alguma coisa.

Mas estou sendo fiel às minhas origens lingüísticas. Apesar de deixar escapar um artigo simpático às vezes, tenho conseguido manter a dureza (quase ignorância) sonora que é o meu sotaque. Uma dureza crua, mas belíssima; versões sonoras dos pés rachados e mãos calejadas dos nossos antepassados.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

Complexo de épico.

No trepidar do piso; no agitar dos olhares; no apertar do peito; sinto que o próximo trem se aproxima. E depois de duas décadas de vivência nessa humilde estação, sem nunca ter coragem de pôr-me vagão à dentro (seja lá por qual razão – e foram diversos e justos os motivos), penso sentir uma agitação morna e borbulhante a me despertar. Não que essa inquietação seja prova de que, por fim, irei. Não, não. Já senti isso antes. Muitas outras vezes. A diferença é que dessa vez percebo, vagamente, existir uma atmosfera propícia para que, de fato, consume-se o meu rito de passagem. Aquele do Herói, com letra maiúscula pra enfatizar. Não descarto, porém, a possibilidade dessa atmosfera não passar de um artifício cruel do meu cérebro. Uma espécie de teaser de um filme que nunca entrará em exibição nas salas de cinema da quais tenho acesso. Ó cérebro mau, o meu! Quer, não quer, quer, mete medo, engana. Seja como for, acho que estou confiante. Se o trem vier, dessa vez não permitirei que parta sem mim, sem meu amor, sem minhas bagagens, sem minha coragem e inocência. Irei, enfim, seja para onde for. Para os confins, para os céus e infernos que hão de existir de qualquer forma, seja nessa estação, seja em outra maior, melhor; numa que me veja com olhos virgens. Argh, será bobagem? Será burrice estar cá a divagar nos meus sonhos de crianças tão persistentes e filhos da puta? Maldições eternamente vinculadas a esse corpo? Um câncer sem fim que já me cobre a alma por completo? Vejo-me obrigado a pensar que se assim for, que seja para o bem; que, de alguma forma, devo tirar proveito da sina. Tomar decisões mais inteligentes que as do Rei Midas, por exemplo. E, se o trem vier, repito, irei. Sim, irei. Jogar-me-ei por completo na profundeza dos meus desejos megalomaníacos. E o Mundo, por fim, se curvará sobre o seu verdadeiro Deus: Eu.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2005

Me roubaram o artigo.

Eu não sou o Bruno, ou o BOB (se preferir). Eu sou Bruno, ou BOB (se preferir). Ninguém vem para a casa do Bruno, ou do BOB (se preferir). Todos vêm para a casa de Bruno ou de BOB (se preferir). Nasci no Nordeste, sem preferir, e logo de cara me roubaram o artigo que, nas outras regiões do país, precede o nome próprio. Não há motivo aparente para a existência desses artigos, já que pouquíssimos nomes próprios brasileiros são unisex; nossos Sidneis são homens e nossas Cris são mulheres. E, segundo o Chico (com artigo, porque é do Rio), o português brasileiro é a única língua do mundo a se auto-complicar através de tais artigos desnecessários, mas simpáticos. Aqui no Nordeste, porém, a simpatia desse posicionamento de artigos inexiste. Aqui as pessoas encontram outras formas de expressar tal sentimento: comendo cuscuz; dançando forró; permitindo que Falcões e Babaus do Pandeiro existam; falando oxente; e aí vai...

sábado, 24 de dezembro de 2005

Gozando.

Brincando com a letra do Chico:

Deus é um cara gozador, adora brincadeira;
Pois prá me jogar no mundo, tinha o mundo inteiro;
Mas achou muito engraçado me botar cabreiro,
Na barriga da miséria, nasci
brasileiro.

E se os espíritas estiverem corretos, o gozador sou eu mesmo. Por outro lado, morar no país onde nada é levado à sério tem seus pontos positivos... mas não consigo lembrar de nenhum agora.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2005

Isso é o que eu chamo de férias!!

Encontrei numa discussão no Orkut um cara que possui o mesmo raciocínio que eu sempre pensei ser só meu: Deus é a apoteose do ócio. Tá certo que no início Ele deve ter tido um trabalho do caralho desenvolvendo trilhões de fórmulas matemáticas, físicas e químicas que fizessem algum sentido; Tá certo que além de fazer tantas contas e programar todo o funcionamento do Universo™ (nome que Ele mesmo deu ao seu super-software), Ele ainda teve que exercitar bastante a imaginação e criatividade para criar equações que levariam ao aparecimento de criaturas como o babuíno ou Kelly Key. Mas pensemos bem... ele só trabalhou seis dias... Repito: devem ter sido seis LONGOS dias; Mas, ainda assim, bilhões de anos de férias é demais até mesmo para mim.

O que acontece é que Deus foi esperto. Na verdade, ele foi muito esperto. A idéia de criar as Leis de Deus™ (compilação das leis matemáticas, físicas, químicas, morais e éticas), garantiu-lhe que o Universo™ funcionasse por conta própria. Deus seria, a partir do Sétimo Dia, o voyeur definitivo. É como uma criança que responde todas as questões dos livros escolares ainda na primeira semana de aula, para passar o resto do ano na folga.

Não me entendam mal. Não estou criticando Deus. Longe de mim. Inclusive, se eu estivesse no Seu lugar provavelmente faria a mesma coisa... A diferença é que o meu Universo seria bem pior, já que matemática nunca foi o meu forte; Ia dar tanto bug que, se brincar, o Apocalipse (encontrado em Iniciar > Painel de Controle > Adicionar/Remover Programas) seria inevitável em menos de um ano.

Toda essa questão me leva ao ponto principal desse post... Deus existiu. Isso é um fato. Então, a pergunta é: Ele ainda existe? Pois pense bem: ele não precisa existir, já que as Leis de Deus™ proporciona o funcionamento do Universo™ por tempo indeterminado. Pode ser que Deus simplesmente tenha morrido de tédio durante esses bilhões de anos. Será que ele aguentou assistir toda a Idade Média, por exemplo? Foi tempo pra burro.

De qualquer forma, isso tudo levanta um questionamento bastante usual quando se pensa em Deus e em todas essas coisas grandõnas que Ele fez: Se Deus fez tudo isso, quem fez Deus? Confesso que eu também tinha essa dúvida antes do Orkut. No entanto, foi-me sanada com a seguinte resposta (bastante satisfatória, diga-se de passagem) de um Orkuteiro qualquer: "Deus não têm causa, porque toda causa é uma ação que se dá no tempo, anterior a um efeito. Sendo Deus criador do Tempo, não haveria um antes que o denotasse como um efeito".

Perfeito, não?

sexta-feira, 2 de dezembro de 2005

A verdade é que todas as pessoas que você conhece, um dia irão morrer. E não faça disso um grande auê.

The Flaming Lips - Do you realize?

Do you realize that you have the most beautiful face?
Do you realize we're floating in space?
Do you realize that happiness makes you cry?
Do you realize that everyone you know someday will die?

And instead of saying all of your goodbyes, let them know
You realize that life goes fast
It's hard to make the good things last
You realize the sun doesn't go down
It's just an illusion caused by the world spinning round.

terça-feira, 18 de outubro de 2005

Porteiros-macacos & o behaviorismo.

Uma experiência clássica do behaviorismo de Pavlov e B. F. Skinner:

Em uma jaula foram colocados 4 macacos. De tempos em tempos, na subidade de uma rampa, eram colocadas bananas. Porém, quando algum dos animais tentasse subir na rampa e alcançar as bananas, todos seus companheiros eram punidos com um choque elétrico.

Depois de um determinado período, os 4 macacos pararam de tentar pegar as bananas; Então, um dos macacos foi retirado. Em seu lugar, entrou um novo macaco que não conhecia o ambiente. A primeira coisa que ele fez, quando colocaram o alimento a disposição, foi tentar pegá-lo. No entanto, não foi preciso acionar o choque, pois os outros macacos simplesmente o agrediram tantas vezes que ele desistiu de pegar o alimento.

O mesmo procedimento foi repetido para os 3 macacos antigos restante, até todos serem substituídos. Mesmo com 4 macacos novos na jaula, que nunca levaram um choque, as coisas continuaram acontecendo como antes, os macacos sempre agrediam aquele que tentasse pegar as bananas, mas obviamente nunca souberam porque estavam fazendo aquilo.


Um pouco sobre a experiência "A Gaiola de Skinner":

Skinner colocou numa gaiola um bando de pombos famintos. Nessa gaiola havia um dispositivo automático que de tempos em tempos depositava comida para os pombos. Por algum motivo os pombos passaram a desenvolver hábitos e movimentos repetitivos. Alguns giravam a cabeça em sentido horário, outros balançavam o corpo para frente e para trás, etc. Por alguma razão os pombos associavam seus movimentos ao fato da comida estar sendo entregue, embora uma coisa não estivesse relacionada com a outra. Criou-se, então, nos pombos, um comportamento supersticioso, que é relativamente comum em seres humanos: como quando se faz figa no dedo na esperança de que esse gesto faça com que aquele esperado gol do seu time finalmente saia, embora uma coisa não esteja relacionada a outra.

Um pouco sobre o que está acontecendo aqui no condomínio:

Todos os porteiros receberam um dispositivo eletrônico e foram instruídos para acionar uma chave ligada a esse dispositivo em 6 outros dispositivos espalhados pelo condomínio: um na garagem, um na garagem subterrânea, um no playground, um no 12º andar de um dos prédios, outro no 12º andar do outro prédio e o último na portaria. Esses 6 pontos devem ser acionados de hora em hora.

Ou seja:

A cada hora um dos porteiros tem que acionar essa chave que carregam pelos 6 pontos espalhados nos prédios; na hora seguinte cabe ao próximo porteiro fazê-lo. Assim, alternam-se sucessivamente; 24h por dia! E sem saber exatamente porque o fazem.

Intrigante, não? Quem gosta de Lost deve estar com mil teorias na cabeça agora...