sábado, 26 de janeiro de 2008

Daniel, O Invisível: player com o disco novo.

"Fazendo Kitsch em Ré Menor na Travessa do Último Riso" (2008)

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Daniel, O Invisível: "Mapa Astral" [comentada]

A partir de hoje vou ficar postando as letras das músicas de Daniel, O Invisível, com um player para ouvi-las. E ainda, vou tecer comentários a respeito da música e dos seus significados. Não vou seguir a ordem dos discos pra não ficar previsível demais.

A primeira é "Mapa Astral (ou Tudo ao Revés)", segunda música do disco novo. "Mapa Astral (ou Tudo ao Revés)" é dividida em duas metades distintas: a primeira trata-se de um tango, o brega latino (lembrando que o brega é o objeto de "estudo" desse disco); a segunda parte constitui-se num solo com influências psicodélicas. Na verdade essa idéia de fazer uma música dividida dessa forma é bem antiga... no Mala Mágica tinhamos uma música chamada "O Sol (Não se Move)" que tinha uma estrutura MUITO parecida com "Mapa Astral (ou Tudo ao Revés)".

Quanto ao conteúdo, a música narra as armadilhas de se apaixonar por uma daquelas meninas travestidas de lolita, tatuadas com constelações, pequenas, suburbanas, ou tudo ao revés. O narrador (que eu chamo de "bom vedor", ou bon voyeur) as trata como a personificação do próprio mal; de um mal puro e primitivo. Não tratam-se das Evas de um mundo machista, mas da própria serpente - com suas presas transbordando peçonha.

É claro que o "bom vedor" é a figura ideal de um bobo; de um fraco; de um "pobre rapaz". Os corações temerosos e virginais desses jovens demonizam e transformam em personagem o ardor fulmegante do rebolado sensual dessas "anjinhas".

Rebolado que, ao meu ver, acompanha todo o longo solo de guitarra que fecha a música.

Clique "play" para ouvir.



"Mapa Astral (ou Tudo ao Revés)"
Bruno Barros

Na pele
tem pintado
a sangue tracejos
de um mapa astral.

Tais anjos
se esbaldam nas farças
que brilham nos olhos do
bom vedor.

São mentiras que de perto
soam sublimes ao amador
(em meio a dor).

Quais falácias de tantas
poderiam sobreviver
sem se render
ao mal?

Pequenas,
suburbanas, morenas, alegres,
(ou tudo ao revés).

Secretam
sua peçonha
em mentes impuras,
mas tão banais.

Se esvaem com o vento,
brincam com a sorte
e lhes roubam a paz
(ó pobre rapaz!)

Quais falácias de tantas
poderiam sobreviver
sem se render
ao mal?


Site Oficial: danieloinvisivel.com
MySpace: myspace.com/danieloinvisivel

Daniel, O Invisível, Fazendo Kitsch em Ré Menor na Travessa do Último Riso.

O disco novo de Daniel, O Invisível, já está disponível para download.

Abaixo, uma resenha do disco que saiu no MP3 Magazine:

Segundo a enciclopédia eletrônica Wikipédia, "kitsch é um termo de origem alemã (verkitschen) que é usado para categorizar objetos de valor estético distorcidos e/ou exagerados, que são considerados inferiores à sua cópia existente... Eventualmente, objetos considerados kitsch são também apelidados de brega no Brasil."

Em seu segundo EP, "Fazendo Kitsch em Ré Menor na Travessa do Último Riso", o trio sergipano "Daniel, O Invisível", consegue a façanha de subverter o próprio conceito de kitsch. O novo trabalho pretende desconstruir a música considerada brega (Kitsch), transformando-a em algo moderno e bem acabado. Ou seja, em vez de fazer uma cópia inferior ao original, Daniel transforma música ruim em coisa fina.

O poder alquímico do grupo é realmente surpreendente. Serestas, boleros, tangos e demais gêneros e estilos musicais calcados em dor-de-cotovelo e arranjos de gosto duvidoso recebem programações eletrônicas, teclados e guitarras. Desta forma, "Fazendo Kitsch em Ré Menor na Travessa do Último Riso" empresta uma roupagem atual e melhorada aos gêneros que lhe inspiraram, criando algo totalmente novo.

A sonoridade do disco é etérea e depressiva, expressando musicalmente toda a dor contida nas letras. Ao contrário do que possa parecer, não há qualquer traço de deboche ou escárnio nas composições. Pelo contrário. Daniel não tem medo de soar ridículo e é exatamente isso que empresta veracidade ao seu trabalho. Os caras exploram a música brega com paixão, sem pudores ou preconceitos.

No fim das contas, "Fazendo Kitsch em Ré Menor na Travessa do Último Riso" acaba sendo um excelente trabalho de pesquisa musical e experimentalismo. É como assistir a um show de Nelson Gonçalves, Ângela Maria, Elizete Cardoso e Silvio Caldas, acompanhados pelos Mutantes, numa nave espacial. Não dá pra entender direito o que está acontecendo, mas dá pra curtir muito.

Site Oficial: danieloinvisivel.com
MySpace: myspace.com/danieloinvisivel