O texto abaixo é um fragmento de uma idéia originalmente concebida por mim e Ramon (Ayres). Hoje essa texto é peça fundamental no meu profile do Orkut.
Hoje eu acordei com uma idéia inacreditável na cabeça.
Qual?
Foi completamente do nada. Simplesmente surgiu! E com medo de perder a idéia me levantei rapidão, catei um papel, mas não achei nem caneta nem lápis.
Não tinha no estojo?
Aí é que está: não achei o estojo. Entrei logo em desespero porque a idéia que eu tive era daquelas que, se bem aplicada, pode mudar a vida de uma pessoa para sempre.
Será que não ficou na universidade?
O quê?
O estojo.
Foi o que eu tinha pensado. Entrei na internet pra procurar o número do telefone da universidade e quando liguei pra lá ninguém sabia dizer exatamente se existia ou não algum setor de achados e perdidos.
E porque você não anotou sua idéia no bloco de notas do computador.
Putz, é verdade. Nem pensei nisso. Acabei focando no estojo. Só sei que quando cheguei lá me dei conta que a carteira da biblioteca tinha ficado em casa, e o único lugar onde eu poderia ter esquecido o estojo era na sala de estudo da biblioteca. Sempre chego, sento, arrumo os livros e coloco o estojo do lado.
Odeio esse sistema de só poder entrar com a carteira.
E eu não? Briguei feio com o segurança.
Mas você ainda se lembra da idéia?
Lembro, mas com menos detalhes.
Diz aí.
Você sabe o que é uma taxonomia?
Não.
É tipo um apanhado de informações classificadas com um determinado critério com o objetivo de organizar alguma coisa. Tipo a classificação dos organismos vivos em reinos, famílias, aquele lance todo, entende?
Isso é uma taxonomia?
Bem resumidamente, sim.
He, he, he.
O que foi?
Nada.
Diz, pô. O que foi?
Besteira, rapaz.
Putz, diz aí, caralho!
É que pelo nome eu pensava que tinha alguma coisa a ver com gado.
Gado? Tipo boi?
É. Eu falei que era besteira. Fala logo sua idéia.
Tá, mas como diabos taxonomia teria a ver com boi? Se você falasse que tinha algo a ver com taxas do governo ou algo parecido, tudo bem... mas boi?
Pô, se tivesse algo a ver com taxas do governo seria muito óbvio. Minha mente não é assim tão barata.
Ah, então associar taxonomia à população bovina é sinal de refinamento intelectual agora?
Só estou dizendo que não costumo pensar sempre o óbvio. Associar taxonomia a algo relacionado a taxas só porque aparentemente o radical das palavras é o mesmo é coisa pra estudante do nível médio.
Mas o radical não é o mesmo.
Não importa. Diz logo a idéia.
Tá, eu tinha pensado que seria muito interessante para o mundo gerar uma taxonomia de tipos físicos.
Essa é a sua grande idéia, pensador?
Não dispense a idéia tão rapidamente. Ela não seria uma taxonomia qualquer, pois isso até já existe. Calma, calma, não saia. Escute primeiro. Essa taxonomia seria capaz de uma precisão impossível de encontrar no que vemos hoje.
Cara, essa idéia de classificar tipos físicos me cheira um tanto nazista.
Não seja barato, meu caro. Assim você me ofende. Escute o que tenho a dizer. O mundo precisa de uma taxonomia nesse sentido, mas uma que seja absolutamente precisa. Uma que não deixe espaço para dúvidas. Aquele bandido que levou meu estojo, por exemplo, poderia ter sido observado por uma testemunha cujo depoimento para a polícia (se calcado na minha taxonomia) descreveria o meliante com tanta propriedade que nem mesmo uma fotografia do mesmo seria tão clara. Seria uma resposta do tipo “o assaltante era um Arauto 16 Leopoldino 211 Matusalém 2 Quadrado Jupteriano 823.”
...
O que achou? Onde você está indo? Espere. Pare aí. Ei, alguém segure esse Guagalupe 21 Rubro 89 Venerado Ulampiano 302!
domingo, 26 de agosto de 2007
A taxonomia definitiva.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

0 comentários:
Postar um comentário