sábado, 23 de junho de 2007

I see you, you see me.

Desde muito pequeno especulo em torno dessa assertiva: se eu posso ver alguém, esse mesmo alguém, conseqüentemente, pode me ver. Sei que, a princípio, parece uma constatação um tanto óbvia, mas não sei se de fato o é. Sinto, na minha limitação, que essa é uma questão de ordem lógica cuja averiguação empírica se daria através do campo da física, mas nem disso tenho certeza. Peço perdão ao leitor por isso. Meu cérebro não consegue se projetar com precisão nesse universo enganosamente exato.


Aqui onde moro as vezes fico olhando através de um dos buracos destinados à ocupação dos (inexistentes) condicionadores de ar e imaginando se alguém do outro edifício, olhando na mesma direção, poderia me ver com a mesma clareza que os vejo. Com a mesma lucidez onírica. Suas formas ondulantes. Suas cores saturadas. Sua inocência cegueta. Ah, o desconhecido...

Ao mesmo tempo me preocupo. Penso, quieto, que se de fato os moradores do edifício defronte forem detentores do mesmo poder que daqui me orgulho ser possuidor, transformo-me numa paródia de mim mesmo, espelhado como Narcíso no seu universo particular.

1 comentários:

Ana Cris Matos disse...

Acho que todos aqueles que vemos têm potencial para ver a gente também, mas nem sempre utilizam esse potencial. E quando o fazem, sem querer pecar pelo relativismo, provavelmente fazem de outra maneira. Não só porque a perspectiva é outra, mas também porque os olhos são outros e conseqüentemente também o olhar.

Eu não queria ler mentes, mas gostaria de saber a se as histórias de vida que imagino para as pessoas condizem com a realidade delas. Prefiro ver a ser vista!