Juro que não sei. Sempre fui conhecido pela minha capacidade de manter elementos bi ou tridimensionais em estado de equilíbrio visual, numa harmonia que me garantia a qualidade de vida. Está tudo acabado. A desorganização é como um câncer, uma vez ali, alojada, não tem como removê-la. Corta-se uma cabeça e outras mil aparecerão. E o peso sob minha escrivaninha não é apenas físico; há nela todo o pesar invisível do desespero, da pressa, da preguiça e da ansiedade. Mesmo tendo tido a obrigação de passar pelo patético processo de seleção das universidades que cursei, nunca me senti tão cobrado por mim mesmo quanto me sinto hoje. Há dias que luto para não passar todos os seus minutos pensando nas barreiras que se projetam sorridentes ante mim. Muitos dos meus colegas passaram por algo parecido diante da competição tenebrosa da saída do segundo grau. E confesso que nunca respeitei tanto medo e angústia. Hoje sinto na pele o que é precisar dar um passo correto e preciso, diante de uma concorrência desleal: o tempo.
segunda-feira, 21 de agosto de 2006
Como fui deixar isso acontecer?
Escrito por
Bruno O. Barros
às
2:48 PM
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Marcadores: Espelho
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