sexta-feira, 29 de junho de 2007

O Homem Chaminé (parte 01).

Essa é a história de um homem que fumava muito. Uso, nesse caso, a palavra muito por limitação da nossa língua materna. Muito, aqui, é muito pouco perto do que ele de fato fumava. Para que vocês tenham uma idéia, por determinação da ONU esse homem o qual me refiro foi obrigado a assinar o tratado de Kyoto tamanho era o volume de fumaça que ele expelia pela boca. Em 2002 ele até chegou a sofrer uma tentativa de assassinato quando dois membros do Greenpeace um pouco mais exaltados dispararam contra nosso protagonista com arpões próprios para caçar tubarões-tigres. Um dos arpões errou o alvo, o outro perfurou o pulmão esquerdo do fumante compulsivo. Os médicos, porém, não precisaram retirar o arpão durante a cirurgia que garantiu-lhe a sobrevivência. Por algum motivo ainda obscuro para os profissionais da medicina, o metal do arpão que se encontrava cravado no peito do sobrevivente dissolveu-se como manteiga, permitindo que os médicos simplesmente suturassem o rombo causado pelos ativistas.

Ainda em 2002 a pequena cidade onde o tal fumante habitava decretou estado de calamidade publica, de forma que ele teve que ser removido para o subúrbio de alguma grande metrópole, onde o mal que emitia pela boca não se destacasse, camuflando-se em meio ao cenário caótico que agora fazia parte da sua vida.

A mudança de cidade não foi fácil, então o fumante passou a procurar hobbies que lhe ocupassem a mente. No entanto, quando nosso herói estava adquirindo gosto pelo futebol foi logo proibido de freqüentar os estádios, visto que o transtorno que causava era ainda pior que aquele dos sinalizadores usados pelas torcidas organizadas. Com o passar dos anos o desempregado fumante foi perdendo o gosto pela vida. Entrar em restaurantes já não era-lhe mais possível fazia uma década. Fazer amizades tornou-se impossível desde que quatro dos seus vizinhos morreram após um ano de convivência como o personagem principal dessa história. Diagnóstico: câncer de pulmão. Já com as mulheres o fumante tinha sorte. Ninguém conseguia entender o porquê, mas as mulheres enxergavam nele algo que ninguém mais via. O problema, porém, é que nosso personagem era homossexual. Passivo.

O único homem que ousou possuí-lo veio a falecer antes mesmo do seu fálico órgão colocar-se para fora da bermuda. O fumante lembra-se até hoje de ter passado menos de quinze minutos na delegacia explicando o que aconteceu. Os policiais perderam a paciência quando o corpo de bombeiros chegou perguntando qual era o foco do incêndio.

Acho que deu pra vocês terem uma idéia do quanto ele fumava.

(Continua...)

sábado, 23 de junho de 2007

Na Base #03.

Magic Numbers é, sem qualquer dúvida, uma necessidade primária. A banda surgiu, para mim, como um espasmo involuntário. Nada havia me preparado para aquilo. Não precisei criá-la no meu íntimo, nem mesmo aprender a apreciar as progressões de acorde açucaradas. Simplesmente foi paixão à primeira vista.

E, ainda mais inesperadamente, essa paixão não será platônica. No final de Julho estarei presente no festival de música independente em que Magic Numbers fará parte aqui no Rio. Como diria algum apresentador de orientação sexual não-cristã do Disney Channel: é, tipo, mágico.

Abaixo (em homenagem ao ultimo, e erótico, post), I See You, You See Me:



Magic Numbers
"I See You, You See Me"

I never wanted to love you, but that's ok
I always knew that you'd leave me anyway
But darling when I see you, I see me

I asked the boys if they'd let me go out and play
They always said that you'd hurt me anyway
But darling when I see you, I see me

Its alright I never thought I'd fall in love again
Its alright I look to you as my only friend
Its alright I never thought that I could feel this something
Rising, rising in my veins
Looks like it's happened again

I never thought that you wanted for me to stay
So I left you with the girls that came your way
But darling when I see you, I see me
I often thought that you'd be better off left alone
Why throw a circle round a man with broken bones
But darling when I see you, I see me

Its alright I never thought I'd fall in love again
Its alright I look to you as my only friend
Its alright I never thought that I could feel this something
Rising, rising in my veins
Looks like it's happened again

You always looked like you had something else on your mind
But when I try to tell you, you'd tell me never mind
But darling when I see you, you see me

I wanna tell you that I'll never love anyone else
You wanna tell me that you're better off by yourself
But darling when I see you, you see me

This is not what I'm like [x4]
This is not what I do
This is not what I'm like
I think I'm falling for you

I never thought - This is not what I'm like
I never thought - This is not what I do
I never thought - This is not what I'm like
I never thought - I think I'm falling for you
I never thought -
I never thought -
That I could feel this something
Rising, rising in my veins
Looks like it's happened again

And it looks like
I feel this something
Rising, rising in my veins
Looks like it's happened again

I see you, you see me.

Desde muito pequeno especulo em torno dessa assertiva: se eu posso ver alguém, esse mesmo alguém, conseqüentemente, pode me ver. Sei que, a princípio, parece uma constatação um tanto óbvia, mas não sei se de fato o é. Sinto, na minha limitação, que essa é uma questão de ordem lógica cuja averiguação empírica se daria através do campo da física, mas nem disso tenho certeza. Peço perdão ao leitor por isso. Meu cérebro não consegue se projetar com precisão nesse universo enganosamente exato.


Aqui onde moro as vezes fico olhando através de um dos buracos destinados à ocupação dos (inexistentes) condicionadores de ar e imaginando se alguém do outro edifício, olhando na mesma direção, poderia me ver com a mesma clareza que os vejo. Com a mesma lucidez onírica. Suas formas ondulantes. Suas cores saturadas. Sua inocência cegueta. Ah, o desconhecido...

Ao mesmo tempo me preocupo. Penso, quieto, que se de fato os moradores do edifício defronte forem detentores do mesmo poder que daqui me orgulho ser possuidor, transformo-me numa paródia de mim mesmo, espelhado como Narcíso no seu universo particular.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Não dá pra perder...

Cartaz oficial da pr��xima Derrota (feito por mim).

Eu admito, sou um derrotado oficial. N��o tem jeito. A Derrota me persegue. Em Julho estarei indo para Aracaju marcando presen��a na ATPN dia 14, na Derrota cujo tema �� o singelo "espalhando alegria."

Vai rolar muita coisa ruim nessa Derrota: The Honkers (eca!), Movidos a ��lcool (aff), Baka Sentai (nunca ouvi falar bem), A-Parecido (a coisa mais tosca que pode existir), Totalmente Beautiful (que hoje j�� est�� totalmente chato), Total Massacre ATK (se o original �� ruim, imagine o cover), B Ramones (��dem), Raul Seixas Cover (talvez a ��nica banda que destoa do resto da festa).

E o pior da Derrota �� que quanto pior, melhor.

Est�� marcado ent��o, ATPN dia 14 de Julho ��s 20h: Tio BOB fantasiado de Bruno Barros (ou ser�� o contr��rio?).

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Apurando a urêa.

Hoje eu estava no ponto de ônibus pensando sobre como funciona o processo evolutivo dos nossos sentidos (visão, audição, olfato, tato e paladar) enquanto escutava Björk sem entender exatamente como eu havia aprendido a apreciar aquele som esquisito. Como é possível, por insistência, passar a gostar de algo que tínhamos repulsa no passado? Essa é uma pergunta complexa e que exige uma resposta complexa, mas dela pode-se esboçar algumas anotações regadas a cerveja. Por exemplo, chamo aqui essa adaptação dos sentidos de processo evolutivo por dois motivos: a) trata-se de um processo porque pode-se atestar empiricamente que não se dá da noite para ou dia, levando (de acordo com uma série de necessidades) um determinado tempo para se concretizar; b) trata-se de uma evolução no sentido negativo-positivo, ou simples-complexo, levando-se em conta que esse seja o sentido recorrentemente encontrado em todo e qualquer aspecto da natureza.

Acreditando-se nesse dois pontos elimina-se por completo qualquer valor do patético argumento freqüentemente utilizado por aqueles se negam a despender esforço psíquico e cognitivo na compreensão através dos sentidos, de determinados objetos. Refiro-me (e aqui dou espaço a um inevitável sentimento de asco) exatamente à frases do seguinte naipe: "Música boa é aquela que você gosta de primeira... é ridículo ter que ouvi-la várias vezes pra gostar."

(Porra. Tal frase só pode ter saído de um hominídeo que teve muita sorte de chegar nesse nível de evolução biológica em que nos encontramos. Quero deixar claro também que trata-se de uma versão crua, mas claramente editada por mim, visto que tal criatura não saberia o princípio básico do uso da ênclise. Além disso, pode parecer que estou, aqui, gerando um evidente juízo de valor, onde "música boa" seria referente ao que chamo de evolução positiva ou que vai em sentido a uma complexidade. Isso não é totalmente verdade. Emito juízo de valor sim, mas não nessa ordem. Explicarei mais abaixo o que entendo por complexidade.)

Björk feliz da vida...

Em outras palavras: assim como aprendemos a gostar do sabor de uma cerveja gelada, ou daquela salada que sua mãe insistia tanto pra você comer na infância, podemos aprender a apreciar sons que a princípio nos soam estranhos e alienígenas. Uma boa música pop é aquela que não exige tal aprendizado. Essa é a favorita do hominídeo sortudo. E conforme a complexidade da música aumenta, através de camadas e texturas sonoras ou através de uma descontextualização social e estranheza com a mesma, vai-se exigindo do ouvinte um melhor apuro dos órgãos responsáveis pela audição. E, pelo que me parece, trata-se de um apuro que se dá através de treinamento, repetição e por uma série de outros valores e significados que se expandem numa escala sócio-cultural.

Trato dessa questão também nesse âmbito sócio-cultural porque acredito que seja possível apreciar com mais eficácia uma determinada música por esta tratar-se do hino do seu time de coração; ou por estar a tocar num determinado e importante momento da sua vida que ficou marcado na memória.

Acredito também que essa evolução da nossa capacidade de apreciar sons complexos não pode, em hipótese nenhuma (exceto, talvez, por dano cerebral) involuir. Ou seja, quando sua capacidade cognitiva referente ao som se habitua a um determinado complexo sonoro, para sempre se estará preparado a compreendê-lo. E, repito, esse som complexo não precisa necessariamente ser um Stravinsky, mas um Babau do Pandeiro.

Agora, porém, fico com um pouco da musa que me fez começar esse post pobre e desconexo: Björk.

sábado, 2 de junho de 2007

A caneta de ouro.

Tomei umas cervejas e estava visitando uns sites enquanto Jô passava na TV atrás de mim. Só ouvi essa frase: "O problema é material? Toma essa caneta de ouro e escreve um romance, então."

Perfeito.

Essa frase denuncia e desmascara a pobreza criativa em dois lances. Material é a última coisa que importa quando o assunto é criação e inteligência artística. Quem é bom, é. Quem não é compra CD dos outros.