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terça-feira, 18 de novembro de 2008

Ter fé é egoísmo (ou o fim do mundo).

Num determinado dia, em meados da década de 1980, eu estava fazendo cocô na casa da minha tia mais velha. Lembro que quatro coisas em particular me chamavam a atenção naquele banheiro. A primeira era o tamanho. Provavelmente era o maior banheiro que já havia visto até aquele momento da minha vida. A segunda era um par de halteres verdes que ficavam em um dos cantos do banheiro. Eu sei que eram verdes, mas quase não havia mais verde ali. A tinta estava quase toda descascada, dando vista ao metal enferrujado. Não lembro exatamente quanto pesava cada um dos halteres, mas lembro que na época eu mal conseguia erguê-los do chão. A terceira coisa era um escovão de banho. Eu tinha um pouco de nojo daquilo; ficava imaginando minha tia usando-o das formas mais impróprias. A quarta coisa que me chamava a atenção (e a raison d'être desse texto) era um adesivo circular colado na porta cinza que dizia "Crer é poder." Lembro que na época eu nunca entendi direito o que aquela frase tão direta e simplória queria dizer, e talvez seja precisamente por conta da minha ignorância que aquele adesivo me causara um verdadeiro fascínio (tanto que estou aqui escrevendo isso cerca de duas décadas depois de limpar a bunda lendo que ter fé confere poder).

Nota de meio de texto: Longe de mim acreditar que eu tenho condições de fazer uso nesse texto de palavras como "poder", "fé", "desejo", entre outras, considerando a vasta gama de significações que estas carregam hoje; significações estas que tão exemplares pensadores dedicaram suas vidas a desenvolvendo. Assim, reservo-me o direito de reduzi-las a seu uso corriqueiro, afinal, estamos na internet, num blog pessoal que ninguém nem lê. Estamos na minha arrogante e minúscula meta-narrativa.

Quando entramos no campo da religião do povo (não dos teólogos apreciadores do bom vinho e do cheiro de mofo), "crer", "acreditar", "ter fé" são conceitos que se misturam. Se pudermos crê-los sinônimos, afirmo sem medo: Crer, ou ter fé não tem absolutamente nada com poder, com conseguir. Nada mesmo. Eu queria poder até dizer que crer é o avesso de poder, mas algo em mim diz que esse seria um passo longo demais a ser dado, então me limito à máxima: Crer é poder não poder. Em outras palavras, ter fé é se dar o luxo de não conseguir; é viver com isso; é inverter o princípio que inicialmente motiva a própria crença. Elaboremos juntos essa idéia:

Se é difícil (ou, quem sabe, impossível) invalidar a fé enquanto conceito, podemos, pelo menos, colocá-la numa posição de embaraço. Vejamos: acreditar que crer é poder, que a fé de alguma forma leva a um resultado positivo e factual em relação às necessidades, desejos, anseios do fiel só pode levar a dois resultados: a) A uma espécie de implosão do universo, que viraria ao avesso, se auto-devoraria e, em seguida, defecaria uma quantidade considerável de anti-matéria; b) À idéia de que ter fé é, em princípio, egoísta.

Na alternativa a temos uma espécie de fim do mundo, juízo final, apocalipse, armageddon (ou a qualquer outro termo bíblico análogo e hollywoodianamente engraçado). Esse fim do mundo aconteceria quando levamos em conta a seguinte lógica: Digamos que uma pessoa tenha fé e, por ter fé, consegue tudo o que quer. Uma outra pessoa (seu vizinho, talvez) tem fé na mesma intensidade que a primeira pessoa e por um acaso do destino, deseja exatamente a mesma coisa que seu rival de fé. O que acontece? Provavelmente os dois se desmaterializariam sugados por um mini-buraco-negro que, de súbito, surgira em suas axilas esquerdas. Agora, pensemos agora numa escala global: todas as pessoas tendo fé igualmente. Aquilo que seria o sonho molhado de qualquer beata, transformar-se-ia no seu maior pesadelo. Vivemos num planeta que não possui matéria prima e humana (no caso dos desejos impróprios) suficientes para que todos os seis bilhões de habitantes possam ter fé e, em conseqüência dessa fé, realizar seus sonhos. Se todos realmente acreditassem (e se crer realmente fosse poder), o mundo se esgotaria e comeria a si mesmo. Bum. Blargh. Flush.

Mas calma! Caaaalma! Não precisa correr para as colinas... Ainda podemos ter esperança. Se crer realmente for poder, ainda podemos evitar o fim do mundo. Para tal, é necessário apenas que optemos pela alternativa b já citada. Em outras palavras, temos que torcer para que a maioria das pessoas do mundo não tenham fé; torcer para que apenas nós possamos realmente crer e poder! e, conseguinte, poderemos realizar nossos sonhos. Sendo assim, da próxima vez que for à missa, lembre de colocar aquela gota de cicuta no vinho do padre. Um padre a menos, menos fé no mundo, mais chance de você realizar seus desejos, mais matéria prima e humana para saciar as necessidades da carne.

O grande problema é que se essa alternativa b procedesse, o dinheiro sempre estaria nas mãos dos fiéis, nunca nas mãos da igreja. Por isso, sou obrigado a retornar ao terceiro parágrafo, onde observei que crer é poder não poder.

Só me resta ter fé que ter fé, na verdade, lhe permite não realizar seus desejos de uma forma mais (in)digna. Só me resta acreditar que crer não lhe confere nenhum tipo de poder, mas lhe permite olhar pra frente e viver pensando que você acredita em alguma coisa, quando na verdade você já não acredita mais nem em si mesmo. Lhe permite colar um adesivo circular na porta do banheiro e todo dia, antes do banho matinal, olhar para ele esperando extrair alguma força dali.

Se eu soubesse disso na época em que fazia cocô tentando levantar halteres pesados demais para mim, teria limpado a bunda com o adesivo da minha tia até não conseguir ler mais que crer é poder.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

meu nome é VIDEOCAST - Episódios 01 & 02.

Demorou, mas chegou. Daqui pra frente terá mais. E alguns deles estarão disponíveis somente para quem me tiver adicionado no YouTube.

Episódio 01 (só para friends no YouTube).
Episódio 02, eu treinando mágica... veja logo abaixo:

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Um registro invisível do impossível possível.

Que a convenção escrita do dia de hoje baste na construção de um registro mínimo daquilo que, mascarado, me refiro. Enfim, é como isso.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Escrevendo em 1997...

Relatório de alguma excursão que fiz em 1997. E eu pensava que eu era o bom nessa época...

A nossa excursão começou aproximadamente às 7:30 do dia 27 de abril do corrente ano, daí em diante começamos a nossa jornada com o objetivo de aperfeiçoarmos mais os nossos conhecimentos sobre o Nordeste, incluindo Sergipe.

Estamos na cidade de São Francisco, observamos a estrutura da cidade, e o que predomina é a agricultura, a policultura. No interior, as pessoas tem um estilo de vida diferente, é tudo mais tranquilo, pois não há tanta violência.

São Francisco é uma cidade pobre, com poder aquisitivo baixo, aliás em Sergipe existem várias cidades pobres, onde o setor que predomina é o setor primário.

Em Cedro de São João, o dia é quente e a noite é fria (mudança térmica), há uma grande ausência de árvores, por sinal é uma cidade muito suja, onde o saneamento básico é aparentemente precário. Antigamente o plantio de arroz era diferente, não havia irrigação, esperava-se o Rio São Francisco encher e alagar as áreas, aí plantava-se o arroz.

O homem contribuiu muito para destruir a natureza, hoje não podemos tomar banho no lago, porque a água é parada e perigosa por causa da poluição.

O clima de Cedro de São João é muito quente, a população vive do artesanato e da costura, o bordado ponto de Marca é muito usado aqui, o Redendê, onde vão vender em Tobias Barreto, Recife e Maceió. Outra importante atividade é a fabricação da carne de sol, a policultura e o arroz.

Na cidade de Telha, a agricultura do arroz é o que predomina, pois a lagoa ajuda nesta agricultura, é feita por gravidade, onde a água vem escorrendo pelo canal. Foi muito importante a mecanização e a irrigação nesta região, pois está muito difícil encontrar mão de obra qualificada, afirmou um agricultor da região.

Vimos uma Colheitadeira, que substituiu o trabalho manual de vários homens, e um dos homens que estavam lá, levou-nos em uma fábrica de arroz.

Telha sobrevive somente do arroz. Antigamente, as cidades de Propriá, Telha e Cedro,eram praticamente inundadas, hoje trabalha-se através de irrigação, usando-se técnicas modernas.

O rio São Francisco baixou muito suas águas, por causa do excesso de represas.

Quanto à plantação do arroz, esta varia muito de qualidade, pois uns são bons outros são mais ruins. A casca do arroz tem várias utilidades, serve para granja, para o animal comer.

A China tem grande plantio de arroz. Tem várias usinas que fornece energia através da queima da casca do arroz.

De todas as cidades do Vale São Francisco a mais importante é Propriá, com seu comércio , setor terciário, toda a região em volta depende do comércio de Propriá para se abastecerem, onde tem vários Bancos.

Propriá, que se localiza na região do “baixo São Francisco”, é hoje um dos grandes centros regionais de Sergipe . Lá aprendemos que nem só de beleza vive o Rio São Francisco, afinal ele é muito importante para a região onde estávamos (e para todo nordeste também), que por sinal era uma região navegável. Suas principais importâncias eram a irrigação, a pesca, que também pode ser considerado uns dos meios de vida daquela população, o abastecimento d’agua, e a navegação, se bem que a navegação não vem sendo mais usada com tanta freqüência, como antes da construção da ponte que liga as duas margens do rio. Aprendemos também que o arroz é a principal fonte de renda da cidade, e que ainda em Propriá podemos encontrar um certa quantidade de indústrias de macarrão, farinha de trigo, e arroz. A CODEVASF que foi criada em 1975, com o objetivo de “cuidar” do Rio São Francisco, está atualmente inabilitada, provavelmente por motivos econômicos. Propriá está atualmente “ligada” a Linha Ferroviária Leste do Brasil.

Deveria o poder público investir no turismo na beira do rio, seria uma atividade muito importante para desenvolver a cidade.

Propriá caiu muito, várias fábricas fecharam, está precisando voltar a crescer.

A cidade de Neópolis, vive mais da cultura do arroz, há também a fábricas de tecido.

Neópolis tem um dos melhores carnavais de rua do Estado. O dia de Neóplois é quente e a noite é fria.Outra cidade onde deveria ser desenvolvido o turismo, há também outro meio de comércio, a travessia para Penedo em Alagoas, pois não há outro meio de atravessar o rio; Penedo tem arquitetura muito antiga, há muitos anos havia o festival de cinema.

Todas as cidades ribeirinhas, tem características parecidas, a tranquilidade, a pesca, etc... O rio São Francisco é a riqueza da região,oferece área de lazer, fonte de renda, e alimentação. Este magnífico rio deveria ser explorado como área de lazer, oferecendo passeios de barco, com os devidos cuidados, para não jogarem lixo no rio.

A vegetação na beira do rio e perto do mar, tem muito coqueiro, que é uma grande fonte de renda.

Percebe-se que a mecanização hoje, nos países subdesenvolvidos é aplicada somente nos produtos onde há interesse de exportá-los.

Não entende-se porque as populações ribeirinhas, que são tão pobres, só podem plantar para exportar, tudo isso deve ser analisado. Outra questão, é ver se o Platô de Neópolis vai ser importante para a população local, que está passando fome.

Em Barreiras, onde há plantação de soja ( que é muito rica), a população vive na miséria. Todo o lucro, ou material de consumo é usado para exportação, esse tipo de agricultura não é tão importante para o 3º mundo, só é importante para o 1º mundo, são os que vão ser beneficiados pela boa mercadoria. Todo produto de boa qualidade é exportado e para o próprio brasileiro fica o produto de má qualidade.

Enfim, os países subdesenvolvidos produzem somente para a exportação, por Ex.: a fábrica de arroz que vimos, o arroz que fica aqui, é muito pouco, pois os grandes produtores produzem somente para exportar, ou para outros Estados mais ricos.

A mecanização é muito importante, desde que, a população do local seja beneficiada, através da educação e saúde. Em países Europeus onde há mecanização na agricultura, o agricultor trabalha poucas horas por dia e usurfrui das benfeitorias.

Há uma grande problema em Sergipe, é que a Capital é muito perto dos interiores, qualquer pessoa que precise ir ao hospital, pega a ambulância do prefeito e vem, como também as escolas, os políticos arranjam ônibus para os estudantes, essa é uma maneira de tornar os cidadãos dependentes dos políticos.

Em Santana do São Francisco (Carrapicho), as pessoas sobrevivem da arte, ´que é pouco valorizada. Ex. Pezão, escultor. Os trabalhos são em barro, fazem potes, bonecos, etc., mas em nosso país esse trabalho não e muito valorizado. Utilizam a argila, como matéria prima. A pesca também é outra atividade desta cidade.

Chegamos ao final da excursão, mais uma vez conhecemos nossa realidade, as necessidades de nosso povo, e podemos ver com clareza, que para tudo há solução, basta nossos políticos terem boa vontade, e respeitarem mais um pouco o povo.

Bruno Oliveira Barros
8ª D

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Pessoas que eu não queria ser...

Hitesh Mehta.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Depois do Seu Pires.

Voltei do boteco vizinho a universidade e entrei no site de notícias da Globo.com, o G1. Ofendido com o que ví, entrei em contato com o Fale Conosco do site. Eis o resultado:

Globo.com: Olá Bruno, em que posso ajudar?
Bruno: Oi, estou ofendido com uma notícia do G1...
Bruno: Gostaria que tirassem do ar a notícia das misses brasileiras; a miss sergipe é muito feia e ofende o meu povo.
Bruno: Oi?
Globo.com: Bruno, por gentileza acesse o site do G1 e fale conosco por lá.
Bruno: É pra mandar um e-mail?
Globo.com: Sim, o atendimento será através de e-mail.
Bruno: Não tem como você me atender daqui? Não quero mais ver essa foto dela...
Globo.com: Não tenho como verificar isso agora.
Bruno: Ok, mas eu tenho certeza que foi algum virus que mandaram pra vocês...
Globo.com: O senhor deveria mandar a reclamação pro endereço do G1.
Bruno: Ok, obrigado.
Bruno: A da amazonas tá bem estranha também...

sábado, 12 de maio de 2007

Escrevendo em 1996...

Vou começar a postar textos do passado. O primeiro é um trabalho de geografia que fiz na sétima série. O professor era quem chamávamos de Cabeção. Se não me engano ele já morreu.

O texto é no mínimo engraçado e eu fico me perguntando como eu consegui escrever tudo isso sobre a Escandinávia numa época em que não tinhamos Internet, Google e muito menos um Wikipedia. Devo ter inventado... É, é bem possível que eu tenha inventado mesmo; o que me rendeu um 9,5.


Trabalho de Geografia:
O PARAÍSO VIKING

A Escandinávia (Noruega, Dinamarca, Islândia, Finlândia e Suécia ), no extremo norte da Europa, sempre habitou o imaginário dos povos tropicais como um mundo diferente, gelado em boa parte do ano e sombrio.

A Noruega, com pouco mais de 320 mil quilômetros quadrados de área, exibe beleza natural impressionante. A terra do Papai Noel e do Sol da Meia-noite também é o país dos fiordes, golfos estreitos e profundos formados entre montanhas altas. O fiorde de Geiranger penetra quase 20 Km entre montes de mais de 1,5 mil metros de altura, a beleza do lugar atrai turistas do mundo inteiro.

O esqui é uma mania nacional. Os noruegueses começam a praticar o esporte ainda na infância. Por isso , há estações que funcionam inclusive no verão, que não ultrapassa os vinte graus centígrados, é difícil, para nós brasileiros, acreditarmos num verão desses.

Mas existe uma parte da Noruega nada singela. Oslo, é uma cidade cosmopolita. Lojas e cafés misturam-se com imponente palácio real, residência oficial do rei Harald, feito em 1848.

Outra atração obrigatória da cidade é o parque Gustav Vigeland, cerca de 200 esculturas de inspiração erótica estão espalhadas por uma fabulosa área verde.

É impossível passar pela Noruega sem ouvir falar dos Vikings, povo mais conhecido por sua crueldade com os conquistados do que por suas habilidades como navegadores. Em Oslo, há o museu dos Vikings, montado para mostrar um pouco mais da vida desses conquistadores escandinavos que alcançaram o auge entre os anos 800 e 1050. No verão de 984, Erik, o Ruivo, chegou à Groenlândia, na época povoada por esquimós nômades. Mas foi seu filho, Leif Eriksson, ou Leif, o Sortudo, que no ano 1000 decidiu navegar um pouco mais para o oeste e acabou chegando a uma terra que batizou de Vinland. Quase cinco séculos antes do navegador genovês Cristóvão Colombo, o viking tinha descoberto a América. Na Noruega, como se vê, não há nada de sombrio, e sim é um lugar fascinante.

Bruno O. Barros (nº08)
7ª série D

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Da rigidez à impotência, ao Wikipedia.

Eu acredito num pensamento assistemático, sem definições fechadas, obrigações metodológicas ou engaiolamentos temáticos. Pensamento bom é pensamento cru. Desdobrar é pedir desnecessárias desculpas pela crueza das verdades que construímos através da nossa experiência pessoal. Talvez eu até exclua dessa minha crítica desdobramentos com finalidades puramente didáticas, visto que a inexistência desses didatismos colocaria em risco de colapso o próprio sistema educacional do mundo em que vivo (não que tal colapso seja tão ruim quanto soe, mas sem dúvida seria um inconveniente social pelo qual não quero me sentir nem um pouco responsável e nem esse é o meu objetivo), mas no geral a construção do saber vem se dado em fórmulas, que é precisamente o que aqui condeno. Ainda carregamos toneladas do pensamento cartesiano e somos influenciados por este em determinadas tomadas de decisões que fazemos no decorrer da vida. Quem nunca achou que precisava deixar o coração de lado numa busca por resposta a alguma questão em particular? Essa idéia de que o coração pode, de alguma forma, ser deixado de lado ou ao menos ter suas influências diabólicas diluídas num substrato dito racional é essencialmente equivocada. Fazê-lo seria anular o que nos faz verdadeiramente humanos. Somos constituídos fundamentalmente de pensamentos, e esses pensamentos não se classificam em puramente racionais ou emotivos, em verdadeiras ou falsos, em plausíveis ou implausíveis. Esses pensamentos são fluidos ativos e inativos ao mesmo tempo. Bons e maus.

Sistematizar idéias e gerar taxonomias pode até ser interessante num processo de introdução e apresentação de pensamentos (admito... talvez...), mas não o é no Mundo Ideal, num mundo onde todos se reconheçam como seres humanos pensantes e orgulhem-se da compreensão que fazem das suas próprias idéias, sejam estas compartilhadas ou não. Se for para existir desdobramentos, que sejam antes da idéia sair da cabeça que a gerou.

Ou talvez eu esteja sendo absolutamente paradoxal e ridículo nessas minha idéia admitidamente ainda patética e com profundidade de uma poça d'água, mas promissora naquilo que eu entendo como meu próprio universo e verdade. Uma verdade que se deleita ao encontrar paradoxos cômicos como o meu amor pelo conceito por trás do Wikipedia, que nada mais é do que o exemplo máximo do que seria uma mega taxonomia pós-moderna do mundo a la Matrix.

Ah, como eu me orgulho de ser uma pessoa contraditória...

terça-feira, 8 de maio de 2007

Abóroras, raízes e ecos.

Tenho a certeza de que se eu passar batom, pintar o rosto, pendurar uma abóbora em cada uma das minhas orelhas, chegar num balcão de uma loja e perguntar se tem camisas listradas tamanho M a primeira coisa que notarão em mim é meu sotaque. Tem sido assim desde que cheguei. Até as pessoas que eu vejo quase todos os dias parecem não se habituar com o meu jeito de falar. Para mim, abrir a boca no Rio é (independente do que eu esteja falando) contar a breve história: "Olá, eu sou nordestino e claramente ainda não me sinto totalmente familiarizado com esse jeito de falar moderno da cidade grande," e só depois dessa introdução a pessoa parece ouvir algo que realmente disse, tipo "onde fica o bebedouro mais próximo?"

Eu não os culpo. Admito até que está cada vez mais esquisito ouvir a minha própria voz. Aqui onde todo mundo fala manso, a brutalidade quase germânica do sotaque sergipano fica em evidência sempre que abro a boca. E com o passar do tempo estou começando a adquirir um estranhamento por esses sons carregados de uma história pessoal que eu mesmo emito. Sabe quando você grava sua voz, depois escuta e não acredita que você realmente soe assim? Pois é. Estou tendo essa sensação sempre que falo alguma coisa.

Mas estou sendo fiel às minhas origens lingüísticas. Apesar de deixar escapar um artigo simpático às vezes, tenho conseguido manter a dureza (quase ignorância) sonora que é o meu sotaque. Uma dureza crua, mas belíssima; versões sonoras dos pés rachados e mãos calejadas dos nossos antepassados.

terça-feira, 1 de maio de 2007

Horóscopo para Maio.

Atenção com a tendência ao ceticismo, a acreditar somente no que pode provar racionalmente. Você sabe que a realidade é mais ampla do que a mente humana concebe. Abra então os seus horizontes para novos conceitos, ideais e crenças, você só tem a ganhar com isso. A libertação que almeja não depende tanto de circunstâncias externas, mas principalmente do autoconhecimento, e da percepção dos rumos que realmente quer dar à sua vida. Saiba ser grato, nativo de Virgem. (Fonte: Horóscopo Virtual.)
Traduzindo: Busque experiências homossexuais esse mês.


Se estão lhe chamando, convidando, é porque querem você, virginiano querido! Hummm, você tinha pensado em ficar quieto no seu canto, matutando isso e aquilo que precisa resolver... Ora, você vai pensar muito melhor em movimento, conversando e brincando. Relaxe e areje a cuca: energia circulante, neurônios faiscantes. (Fonte: Terra Esotérico.)
Traduzindo: Busque experiências homossexuais esse mês.

Tá foda...

"O cliente levantou o braço e a camiseta rasgou."

Foi através dessa frase do título que a funcionária da Totem definiu como se deu o rasgo de quase 20cm que apareceu na camisa que comprei lá logo no primeiro dia de uso. Ainda bem que eles vão trocar. Fui no centro hoje só pra resolver isso.

A garganta continua mal, mas tenho gargarejado sal e água (troquei a posição dos substantivos na frase para evitar uma rima barata), o que adormece um pouco o incômodo. Hoje a temperatura aqui na cidade estava por volta de 17°, o que é muito pouco levando em conta que o ar condicionado das salas onde tenho aula ficam em torno de 20° e já é um bocado frio. Tenho certeza que a dor de garganta começou com a mudança do clima.

Ah, se estiver passando por aí, assistam Proibido Proibir. É foda. Nota 10 pro meu catálogo.

sábado, 28 de abril de 2007

Aviso: meu nome é VIDEOCAST.

Amanhã devo começar a colocar aqui no blog capítulos do meu nome é VIDEOCAST. Trata-se de uma mini-série que deverá ter uns 5 capítulos com 1 minuto de vídeo com trechos do nosso cotidiano.

Esse videocast estará disponível através do YouTube, mas só terá acesso a ela as pessoas que fizerem uma conta no YouTube e me adicionarem como amigo ou família. Pra fazer a conta é fácil:

1. Clique aqui e crie seu login;
2. Vá na minha página do YouTube;
3. Clique em "add as a friend" à esquerda

Criem suas contas e me adicionem, aí eu começo a postar os vídeos!

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Recarregando.

Estou voltando a atualizar o blog.

Pretendo preenchê-lo com atualizações mais ou menos regulares de conteúdo que vão de narrativas ficcionais à pontuações do cotidiano. E seria muito bom dizer sem máscaras que não só compreendo como reprovo a natureza narcisista de um blog, mas não dá. Uso uma ou duas máscaras para fazê-lo. De qualquer forma, neste caso, gostaria de ter como público só minha família, amigos e conhecidos.

Mudei a aparência do blog por um modelo padrão do Blogger - que agora, como metade da Internet, pertence à Google. É... casa de designer, template padrão. Na verdade eu acho (talvez por conveniência) que ficar com firulas visuais em blog é fugir dos reais objetivos deste. Jornal bom é jornal caretão.

Outra coisa que eu espero do blog é um feedback de vocês residentes da capital sergipana. Com alguns até converso diariamente por MSN ou Skype; com outros, dia sim, dia não, ou pelo menos semanalmente. Para minha surpresa ainda há aqueles que nunca dão sinal de vida. O blog está aqui esperando por possíveis comentários de vocês presentes e sumidos.

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Playstation: Animais de Estimação.

Kelma liga para a Americanas do Jardins:

KELMA: Oi, gostaria de saber se "The Sim 2: Animais de Estimação" chegou.
ATENDENTE: Não entendi, senhora.
KELMA: "The Sims 2", "Animais de Estimação".
ATENDENTE: Playstation, senhora?
KELMA: "T-H-E", "S-I-M-S", "D-O-I-S", "A-N-I-M-A-I-S", "D-E", "E-S-T-I-M-A-C-CEDILHA-A-O-TIL".
ATENTENDE: Uh... hã... aguarde um momento, senhora.

(um momento passa)

ATENDENTE: Senhora?
KELMA: Sim?
ATENDENTE: Playstation está em falta.

Kelma desliga o telefone.

Aracaju é mesmo uma província.

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

Como fui deixar isso acontecer?

Juro que não sei. Sempre fui conhecido pela minha capacidade de manter elementos bi ou tridimensionais em estado de equilíbrio visual, numa harmonia que me garantia a qualidade de vida. Está tudo acabado. A desorganização é como um câncer, uma vez ali, alojada, não tem como removê-la. Corta-se uma cabeça e outras mil aparecerão. E o peso sob minha escrivaninha não é apenas físico; há nela todo o pesar invisível do desespero, da pressa, da preguiça e da ansiedade. Mesmo tendo tido a obrigação de passar pelo patético processo de seleção das universidades que cursei, nunca me senti tão cobrado por mim mesmo quanto me sinto hoje. Há dias que luto para não passar todos os seus minutos pensando nas barreiras que se projetam sorridentes ante mim. Muitos dos meus colegas passaram por algo parecido diante da competição tenebrosa da saída do segundo grau. E confesso que nunca respeitei tanto medo e angústia. Hoje sinto na pele o que é precisar dar um passo correto e preciso, diante de uma concorrência desleal: o tempo.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

Complexo de épico.

No trepidar do piso; no agitar dos olhares; no apertar do peito; sinto que o próximo trem se aproxima. E depois de duas décadas de vivência nessa humilde estação, sem nunca ter coragem de pôr-me vagão à dentro (seja lá por qual razão – e foram diversos e justos os motivos), penso sentir uma agitação morna e borbulhante a me despertar. Não que essa inquietação seja prova de que, por fim, irei. Não, não. Já senti isso antes. Muitas outras vezes. A diferença é que dessa vez percebo, vagamente, existir uma atmosfera propícia para que, de fato, consume-se o meu rito de passagem. Aquele do Herói, com letra maiúscula pra enfatizar. Não descarto, porém, a possibilidade dessa atmosfera não passar de um artifício cruel do meu cérebro. Uma espécie de teaser de um filme que nunca entrará em exibição nas salas de cinema da quais tenho acesso. Ó cérebro mau, o meu! Quer, não quer, quer, mete medo, engana. Seja como for, acho que estou confiante. Se o trem vier, dessa vez não permitirei que parta sem mim, sem meu amor, sem minhas bagagens, sem minha coragem e inocência. Irei, enfim, seja para onde for. Para os confins, para os céus e infernos que hão de existir de qualquer forma, seja nessa estação, seja em outra maior, melhor; numa que me veja com olhos virgens. Argh, será bobagem? Será burrice estar cá a divagar nos meus sonhos de crianças tão persistentes e filhos da puta? Maldições eternamente vinculadas a esse corpo? Um câncer sem fim que já me cobre a alma por completo? Vejo-me obrigado a pensar que se assim for, que seja para o bem; que, de alguma forma, devo tirar proveito da sina. Tomar decisões mais inteligentes que as do Rei Midas, por exemplo. E, se o trem vier, repito, irei. Sim, irei. Jogar-me-ei por completo na profundeza dos meus desejos megalomaníacos. E o Mundo, por fim, se curvará sobre o seu verdadeiro Deus: Eu.

terça-feira, 10 de janeiro de 2006

Para quem não conhece Claustro.

Esse foi o meu primeiro curta do qual sinto orgulho. Foi um mês de pré-produção, e outros dois de produção e pós-produção. No final fiquei satisfeito com o produto, embora sempre encontre um defeito aqui ou outro ali que poderia ter corrigido se tivesse tido mais tempo, ou recursos.

Marcelo, como Claustro, está perfeito. Nem muito. Nem pouco. Na medida. A edição tomou-me mais tempo do que deveria, pois tive que aprender a usar o Adobe Premiere Pro na tora para poder fazer terminar o projeto.

A produção foi interrompida durante um tempo devido a morte do meu pai. Lembro dele assistindo um pedaço do curta, que nem estava totalmente editado ainda (aquela parte onde Clautro arruma-se para trabalhar)... recordo-me que adorou.

Para quem ainda não assistiu, hospedei o curta no Internet Archive. O link é: http://www.archive.org/details/BrunoOBarrossandalias

Pretendo, em breve, enviá-lo para o projeto Porta Curta da Petrobrás. Enviarei também o último curta que fiz; O nome é "Estática." e nele é clara a minha paixão pelo olhar Lynchiniano do cinema. Brincar com o surreal é um dos maiores prazeres que tenho. Devo, logo, colocar "Estática." para download também...

quarta-feira, 30 de novembro de 2005

Um saci roubou meu Neosoro!

Que droga. Não é a primeira vez que acontece e, se continuar assim, não será a última. Deixei meu Neosoro (o genérico do Sorini) ao lado do celular na cama e fui na cozinha buscar algo para me alimentar. Quando voltei, apenas meu celular estava lá. O saci levou meu remédio de nariz!

E, aposto, lá vai ele, feliz da vida com os seus oitenta centímetros e um Neosoro nos braços. Maldito! Deve estar cantando:

Iê, vê só
Como se diz na mata:
"Ingrato é
quem deixa largado
o que tanto quer!"

Iê, vê só
O saci na hora exata
em que abandonado foi,
resgata pra quem quer!


Quem essas horrendas criaturas oportunistas pensam que são, afinal? Seus smurfs cotós! Se roubarem mais um Neosoro meu, terei que tomar medidas drásticas. Na próxima reunião de condomínio o síndico do prédio ficará sabendo do que vem acontecendo.

sexta-feira, 21 de outubro de 2005

Os balões assassinos da Blockbuster.

Fui na Blockbuster hoje com Kelminha, Danilo, Márcia Borracha e Marcelo. Enquanto procurávamos um bom filme, Márcia pegou para ela uma das bexigas com propaganda da locadora que estavam espalhadas entre os expositores. Quando fomos pagar o filme no caixa o funcionário disse "essas bexigas são para crianças somente". Incrédulo, ainda tentei brincar: "e quem disse que ela não é criança?", perguntei. "Tem que devolver", ele respondeu. Devolvemos.

Não acredito que uma empresa como a Blockbuster realmente precisa que aqueles balões de 5 centavos sejam entregues somente a crianças. Não acredito que o corporativismo necessariamente tenha que devorar o humor dessas grandes empresas. Definitivamente me recuso a acreditar que aquele funcionário fodido nos mandou devolver o balão porque adultos não podem ter bexigas! Recuso-me acreditar que o fez porque assim foi orientado pelos superiores! Prefiro muito mais acreditar que pouco antes de chegarmos, Samuel (nome aleatório que escolhi para o funcionário que nos atendeu), enquanto limpava algumas caixas de DVD sujas, fora abordado por um grupo de bexigas que de repente haviam adquirido vida!!

- O que querem? – chocado, perguntou Samuel.

- Cale a boca, humano! Quem dá as cartas aqui somos nós! - replicou a bexiga do meio. - Você fará tudo o que mandarmos!

- Hein? Quem você pensa que é? - gritou Samuel num gesto ameaçador.

- Se eu fosse você pensaria duas vezes antes de se aproximar de mim, humano!

- Ah, é? Porque? - desafiou Samuel, formulando no rosto um sorriso irônico.

- Nós Balões do Governo Galáctico de Eh-Pique somos recheados com o mais poderoso dos venenos: O Sopro de Roberto.

Samuel, então, põe-se a rir descontroladamente. É claro que não conseguia levar à sério nada daquilo que o balão azul do meio estava falando. Certamente tratava-se de uma brincadeira de mal gosto... No entanto, os Balões de Eh-Pique precisaram não mais que meio minuto para provar o quanto Samuel estava enganado.

- Ri, maldito! Ri! Vejo que não acredita em nós. Pois bem. Vê ali o seu companheiro distraído? Sim, seu querido amigo Adolfo. Veja-o com carinho, pois será a última vez que o verá!

De repente, três balões surgiram do nada por trás de Adolfo, que ria sozinho vendo capas de DVDs na seção infantil. Pop. Pop. Pop. Os três balões estouraram perto de Adolfo e uma névoa verde-amarelada espalhou-se ao seu redor. O melhor amigo de Samuel mal teve tempo de clamar por ajuda. Meio segundo foi o tempo necessário para que o som seco do corpo de Adolfo chocando-se contra o chão chegasse aos ouvidos de Samuel.

- Por Deus!! Por Deus!! - gritou Samuel desesperado.

- Pois, então! - disse o Balão Líder sorrindo - Agora entende quem com está lidando? É melhor nos obedecer, ou as coisas acabarão muito mal para o seu lado.

Aterrorizado, não havia mais nada que Samuel pudesse fazer...

- Tudo bem, tudo bem! O que querem que eu faça?

- Veja bem... estamos a procura de um filme chamado Um Piromaníaco Apaixonado. Você irá encontrá-lo a qualquer custo! Nosso povo depende desse filme para sobreviver aos ataques das malditas Irmãs Yan Kwon!

- Um Piromaníaco Apaixonado? Nunca ouvi falar, senhor.

- Quer morrer, desgraçado?! Quer morrer?! Seu maldito, filho de uma puta, estuprado!! - gritou furiosamente o Balão Líder. - Não estou disposto a engolir sua estupidez!! Você tem 3 minutos para achar esse filme!!

- Mas senhor... eu-

- CALE A BOCA, SEU PUTO!! CALE ESSA BOCA MALDITA DO INFERNO!! ACHE A PORRA DO FILME JÁ!!

Nesse mesmo instante, o barulho de passos ecoou no vazio do silêncio deixado pelo grito do Balão Líder. Havia alguém se aproximando.

- Senhor, devem ser clientes.

- Livre-se deles, desgraçado!

- Não posso, senhor. Eles vão desconfiar.

- Mata-los-ei, então!!

Samuel, tomado por um profundo senso de responsabilidade, tomou a atitude que veio as nos salvar:

- Não, senhor. Não posso permitir isso. Antes de qualquer coisa, sou um funcionário da Blockbuster e meu dever é atender os clientes. Deixe-me atendê-los e assim que eles forem embora, atenderei ao senhor com o maior prazer. Se por acaso colocar em risco a vida desses clientes, serei obrigado a deixar que o senhor me mate. Dessa forma você jamais encontrará o filme que tanto deseja!

Alguns segundos se passaram sem que o Balão Líder abrisse a boca. O silêncio era tomado somente pelo som de pessoas felizes se aproximando.

- Maldição, humano! Você venceu. Vamos nos disfarçar de balões decorativos até que os clientes se retirem do recinto. Depois você achará o filme que eu preciso por bem ou por mau!

Quase que não dá tempo dos balões se posicionarem. Foi aí, então, que chegamos na Blockbuster e, ao sairmos, graças ao bom caráter de Samuel, tivemos nossas vidas salvas da penosa morte que se dá pela asfixia do Sopro de Roberto.

Viva Samuel e a Blockbuster!!

sexta-feira, 14 de outubro de 2005

[Classificados Banheirísticos] Homem quer mastubar eqüinos.

Porta de uma das cabines do banheiro da nova praça de alimentação do Shopping Jardins / Foto: Tio BOB.