sábado, 29 de setembro de 2007

Silêncio: Durkheim e as cebolas.

Retirado dos Arquivos do Silêncio, 2004:

Certo dia eu sonhei que lia Èmile Durkheim. Acordei me sentindo gordo. No espelho me vi como uma cebola gigante! Por alguma razão irracional, não me importava em ser uma cebola-humana dali em diante. Estava esperançoso.

Algumas pessoas aceitaram com facilidade o fato de eu ter me transformado numa cebola; mas a grande maioria me tratava com desprezo e indiferença. No inicio eu não ligava. Meus amigos eram suficientemente amáveis para que eu mantivesse minha auto-estima num nível tolerável.

Fui feliz durante uma grande parte da vida pensando como uma cebola e fazendo algumas pessoas ao meu redor pensar igualmente. Cheguei a encontrar pessoas que haviam se transformado em tomates, alfaces, cenouras e, alguns poucos, em cebolas também.

O tempo foi passando e o desprezo que os humanos expressavam por mim passou a incomodar. Ninguém parecia estar com fome. Ou seriam todos carnívoros? A salada apodreceu. Eu, desesperado, com uma faca na mão, me cortei. Fatias de cebola voaram para todos os lados...

Pela primeira vez vi pessoas chorarem por mim. Por mim?

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