sábado, 29 de setembro de 2007

Silêncio: Durkheim e as cebolas.

Retirado dos Arquivos do Silêncio, 2004:

Certo dia eu sonhei que lia Èmile Durkheim. Acordei me sentindo gordo. No espelho me vi como uma cebola gigante! Por alguma razão irracional, não me importava em ser uma cebola-humana dali em diante. Estava esperançoso.

Algumas pessoas aceitaram com facilidade o fato de eu ter me transformado numa cebola; mas a grande maioria me tratava com desprezo e indiferença. No inicio eu não ligava. Meus amigos eram suficientemente amáveis para que eu mantivesse minha auto-estima num nível tolerável.

Fui feliz durante uma grande parte da vida pensando como uma cebola e fazendo algumas pessoas ao meu redor pensar igualmente. Cheguei a encontrar pessoas que haviam se transformado em tomates, alfaces, cenouras e, alguns poucos, em cebolas também.

O tempo foi passando e o desprezo que os humanos expressavam por mim passou a incomodar. Ninguém parecia estar com fome. Ou seriam todos carnívoros? A salada apodreceu. Eu, desesperado, com uma faca na mão, me cortei. Fatias de cebola voaram para todos os lados...

Pela primeira vez vi pessoas chorarem por mim. Por mim?

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Feliz dia do nascimento.

Kelminha, parabéns. De novo.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

O meu Deus é o mesmo de Saramago.

Reflexão de Deus para Jesus (ao abandonar Nazaré pela segunda vez, desacreditado pelos familiares):

"Homem, o caso não é para tanto, lágrimas, soluços, que é isso, todos nós temos nossos maus bocados, mas há um ponto importante de que nunca falamos, digo-to agora, na vida, percebes, tudo é relativo, uma coisa má até pode tornar-se sofrível se a compararmos com uma coisa pior, portanto enxuga-me essas lágrimas e porta-te como um homem, já fizeste as pazes com teu pai, que mais queres, e essa cisma da tua mãe, eu me encarrego quando chegar a altura, o que não me agradou muito foi a história com a Maria de Magdala, uma puta, mas enfim, estás na idade, aproveita, uma coisa não empata a outra, há um tempo para comer e um tempo para jejuar, um tempo para viver e um tempo para morrer." (DEUS, em O Evangelho Segundo Jesus Cristo, p. 252-253).

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Overdose em Setembro e Outubro.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Tá com o cão no coro.

Uma família de Brasília chegou no Rio e na passagem pela Linha Amarela pegaram o caminho errado. Depois de se darem conta da merda, resolveram voltar para o caminho certo, mas na volta foram assaltados. Durante o assalto, alguns policiais apareceram e resolveram agir. Houve troca de tiros e os bandidos acabaram perdendo o controle da direção, batendo com o carro recém-roubado. Então, o pessoal de Brasília resolveu chamar o reboque. No entanto, quando estavam no caminho de volta o caminhão que estava rebocando o carro dos turistas despencou de uma ladeira levando o carro junto.

Se eu fosse esse pessoal voltava pra Brasília e não saia mais de lá.

Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL100259-5606,00.html

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

O conto do vigário.


O que foi?, perguntou Andrade antes mesmo que o pequenino Ícaro pudesse sentar-se à mesa. Eu sei que aconteceu alguma coisa, está estampado na sua cara. Sem responder, Ícaro levantou a mão esquerda, e nela havia um envelope com o símbolo do colégio. Diabos, Ícaro, o que você foi aprontar dessa vez? Helena, tomada pela forma dura como Andrade expeliu aquela última frase, aproximou-se do filho. O que foi, amor?, perguntou num tom doce. Ícaro recebeu alguma advertência do colégio. Calma, amor, a gente nem sabe o que é ainda. Helena, então, pega o envelope da mão de Ícaro, o abre num movimento rápido e põe-se a ler um o conteúdo de uma folha A4 que estava ali contida. Menos de vinte segundos foram necessários para que ela se sentasse no sofá e, com uma expressão que denotava um misto de surpresa e estranheza, permaneceu em silêncio. Andrade, impaciente, puxou a carta para si e pôs-se a lê-la. Para não sabotar o momento, dedico um novo parágrafo à próxima fala de Andrade...

CARALHO, ÍCARO! Que merda é essa? Você chamou o padre de punheteiro? O pequeno Ícaro nada respondeu, limitando-se a inclinar a cabeça um pouco para baixo. Como foi que isso aconteceu?, acho melhor você ter uma boa explicação, meu filho, disse Andrade claramente falhando em esconder uma certa oscilação entre a vergonha e o orgulho que agora sentia pelo filho. Ícaro, então, diz simplesmente que Ele estava batendo punheta no vestiário dos meninos depois da aula de educação física. Aquele padre safado é um punheteiro mesmo. Ícaro, retrucou logo o pai, em primeiro lugar: onde é que você anda aprendendo esses termos?, em segundo: porque diabos o vigário estaria se masturbando no vestiário masculino? Isso tá me cheirando mal. Ícaro revelou que seu vocabulário fora amplamente atualizado graças a um fórum sobre quadrinhos o qual ele visitava diariamente através da Internet, e confirmou que o padre estava a se masturbar, o que transformaria o seu suposto xingamento numa simples assertiva.

No outro dia Andrade dirigiu-se ao colégio logo cedo e passou quarenta e três minutos numa sala esperando para ser atendido pelo padre, de forma que aquela situação embaraçosa fosse resolvida de uma vez por todas. Bom dia Sr Andrade!, disse o puto do padre punheteiro. Bom dia o diabos! Como é que o senhor me deixa quase duas horas esperando lá fora pra resolver uma situação onde o senhor é o culpado? O padre pareceu inabalado e disse apenas Sente-se, por favor. Então Andrade resumiu a revelação feita pelo seu filho no dia anterior, o que justificaria o fato de tê-lo chamado de punheteiro. Veja bem, continuava Andrade, Não podemos dizer que ele ofendeu o senhor, se de fato o senhor estava a se masturbar no vestiário. É a mesma coisa que passar um pipoqueiro aqui agora e eu gritar "Ô pipoqueiro!" e ele considerar isso uma ofensa. O padre, então, pôs-se a falar, O senhor está equivocado. Tem certas verdades que, dependendo do contexto, podem ser entendidas como ofensas brutais. Se um negro passar por aqui agora e eu gritar "Ô negro!", a situação não será facilmente resolvida. Em segundo lugar, era o seu filho quem estava se masturbando quando eu cheguei no vestiário. Meu filho tem 8 anos, seu viado!, respondeu Andrade. O padre levantou-se com uma expressão de fúria estampada na cara, caminhou em direção a Andrade e, com a mão esquerda, apertou-lhe com uma certa suavidade os testículos. Em seguida disse, viado é você, seu porra. Suma daqui e vá ensinar seu filho a se comportar como gente.

Andrade chegou em casa e disse que não pôde ir no colégio porque passou o dia atolado de trabalho no escritório.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

As vozes do Claustro.

Dr Silvério já estava quase apagando as luzes quando alguém bateu na porta. Maldição, pensou em segredo enquanto dirigia sua mão esquerda à maçaneta. Perdão pelo atraso, disse logo Claustro. A culpa não foi minha, Edna pediu pra eu deixar os meninos no caratê e o trânsito estava um inferno. Tudo bem, mentiu Silvério, Sente-se, completou apontando para o sofá. Claustro era seu último paciente antes do feriado e ainda que ele não tivesse se atrasado tanto, a característica paciência do doutor já não estava muito presente naquele dia. O atraso de Claustro só piorou a situação. Claustro, disse seco o Dr Silvério, Como andam as vozes? Ainda têm te perturbado? Claustro sentou-se devagar, ficou alguns instantes em silêncio e disse Muito olhando fixamente para o médico. Não melhoraram nem um pouco?, nem mesmo com a medicação?, perguntou Silvério fingindo interesse. Não, respondeu Claustro, Na verdade, doutor, eu senti até uma piora. Uma piora? Isso. Hum, murmurou Silvério. Claustro, você se lembra que semana passada eu pedi para você andar com um gravador portátil e sempre que você ouvisse as tais vozes, você registrasse no gravador? Lembro, doutor. E então, você registrou o que as vozes diziam? Eu fiz melhor, doutor... eu consegui gravar as vozes da minha cabeça diretamente no gravador. Como é?, perguntou assustado o médico. É isso mesmo, eu consegui gravar diretamente na fita tudo o que estava ouvindo na minha cabeça. Então, incrédulo, Dr Silvério pediu para que Claustro colocasse o gravador sobre a mesa e apertasse o botão play. Foi o que Claustro fez, e ele o doutor ouviram exatamente o seguinte:



E aí, doutor, perguntou Claustro, É normal ouvir essas vozes? Dr Silvério encostou-se na sua cadeira, ponderou um pouco e disse Sim, é perfeitamente normal. Agora, nunca mais apareça por aqui.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

E DAÍ?

Eu tenho medo de jornalista. O que leva uma pessoa a dedicar uma página do portal da Globo.com com uma notícia desse tipo: http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL94401-5598,00.html? Se ainda fosse um blog.

domingo, 26 de agosto de 2007

A taxonomia definitiva.

O texto abaixo é um fragmento de uma idéia originalmente concebida por mim e Ramon (Ayres). Hoje essa texto é peça fundamental no meu profile do Orkut.

Hoje eu acordei com uma idéia inacreditável na cabeça.

Qual?

Foi completamente do nada. Simplesmente surgiu! E com medo de perder a idéia me levantei rapidão, catei um papel, mas não achei nem caneta nem lápis.

Não tinha no estojo?

Aí é que está: não achei o estojo. Entrei logo em desespero porque a idéia que eu tive era daquelas que, se bem aplicada, pode mudar a vida de uma pessoa para sempre.
Será que não ficou na universidade?

O quê?

O estojo.

Foi o que eu tinha pensado. Entrei na internet pra procurar o número do telefone da universidade e quando liguei pra lá ninguém sabia dizer exatamente se existia ou não algum setor de achados e perdidos.

E porque você não anotou sua idéia no bloco de notas do computador.

Putz, é verdade. Nem pensei nisso. Acabei focando no estojo. Só sei que quando cheguei lá me dei conta que a carteira da biblioteca tinha ficado em casa, e o único lugar onde eu poderia ter esquecido o estojo era na sala de estudo da biblioteca. Sempre chego, sento, arrumo os livros e coloco o estojo do lado.

Odeio esse sistema de só poder entrar com a carteira.

E eu não? Briguei feio com o segurança.

Mas você ainda se lembra da idéia?

Lembro, mas com menos detalhes.

Diz aí.

Você sabe o que é uma taxonomia?

Não.

É tipo um apanhado de informações classificadas com um determinado critério com o objetivo de organizar alguma coisa. Tipo a classificação dos organismos vivos em reinos, famílias, aquele lance todo, entende?

Isso é uma taxonomia?

Bem resumidamente, sim.

He, he, he.

O que foi?

Nada.

Diz, pô. O que foi?

Besteira, rapaz.

Putz, diz aí, caralho!

É que pelo nome eu pensava que tinha alguma coisa a ver com gado.

Gado? Tipo boi?

É. Eu falei que era besteira. Fala logo sua idéia.

Tá, mas como diabos taxonomia teria a ver com boi? Se você falasse que tinha algo a ver com taxas do governo ou algo parecido, tudo bem... mas boi?

Pô, se tivesse algo a ver com taxas do governo seria muito óbvio. Minha mente não é assim tão barata.

Ah, então associar taxonomia à população bovina é sinal de refinamento intelectual agora?

Só estou dizendo que não costumo pensar sempre o óbvio. Associar taxonomia a algo relacionado a taxas só porque aparentemente o radical das palavras é o mesmo é coisa pra estudante do nível médio.

Mas o radical não é o mesmo.

Não importa. Diz logo a idéia.

Tá, eu tinha pensado que seria muito interessante para o mundo gerar uma taxonomia de tipos físicos.

Essa é a sua grande idéia, pensador?

Não dispense a idéia tão rapidamente. Ela não seria uma taxonomia qualquer, pois isso até já existe. Calma, calma, não saia. Escute primeiro. Essa taxonomia seria capaz de uma precisão impossível de encontrar no que vemos hoje.

Cara, essa idéia de classificar tipos físicos me cheira um tanto nazista.

Não seja barato, meu caro. Assim você me ofende. Escute o que tenho a dizer. O mundo precisa de uma taxonomia nesse sentido, mas uma que seja absolutamente precisa. Uma que não deixe espaço para dúvidas. Aquele bandido que levou meu estojo, por exemplo, poderia ter sido observado por uma testemunha cujo depoimento para a polícia (se calcado na minha taxonomia) descreveria o meliante com tanta propriedade que nem mesmo uma fotografia do mesmo seria tão clara. Seria uma resposta do tipo “o assaltante era um Arauto 16 Leopoldino 211 Matusalém 2 Quadrado Jupteriano 823.”

...

O que achou? Onde você está indo? Espere. Pare aí. Ei, alguém segure esse Guagalupe 21 Rubro 89 Venerado Ulampiano 302!

sábado, 25 de agosto de 2007

Comédia em Pé.

Aqui no Rio tem um grupo de comediantes tentando fomentar no Brasil o espírito do stand-up comedy, aquele tipo de comédia americana onde alguém sobe no palco e começa a falar sobre o cotidiano; e nessa narrativa está embutida as suas piadas. Aqui no Rio eles estão se apresentando no Shopping Barra Square e no UCI do Barra Shopping.

Abaixo, alguns vídeos...