Dr Silvério já estava quase apagando as luzes quando alguém bateu na porta. Maldição, pensou em segredo enquanto dirigia sua mão esquerda à maçaneta. Perdão pelo atraso, disse logo Claustro. A culpa não foi minha, Edna pediu pra eu deixar os meninos no caratê e o trânsito estava um inferno. Tudo bem, mentiu Silvério, Sente-se, completou apontando para o sofá. Claustro era seu último paciente antes do feriado e ainda que ele não tivesse se atrasado tanto, a característica paciência do doutor já não estava muito presente naquele dia. O atraso de Claustro só piorou a situação. Claustro, disse seco o Dr Silvério, Como andam as vozes? Ainda têm te perturbado? Claustro sentou-se devagar, ficou alguns instantes em silêncio e disse Muito olhando fixamente para o médico. Não melhoraram nem um pouco?, nem mesmo com a medicação?, perguntou Silvério fingindo interesse. Não, respondeu Claustro, Na verdade, doutor, eu senti até uma piora. Uma piora? Isso. Hum, murmurou Silvério. Claustro, você se lembra que semana passada eu pedi para você andar com um gravador portátil e sempre que você ouvisse as tais vozes, você registrasse no gravador? Lembro, doutor. E então, você registrou o que as vozes diziam? Eu fiz melhor, doutor... eu consegui gravar as vozes da minha cabeça diretamente no gravador. Como é?, perguntou assustado o médico. É isso mesmo, eu consegui gravar diretamente na fita tudo o que estava ouvindo na minha cabeça. Então, incrédulo, Dr Silvério pediu para que Claustro colocasse o gravador sobre a mesa e apertasse o botão play. Foi o que Claustro fez, e ele o doutor ouviram exatamente o seguinte:
E aí, doutor, perguntou Claustro, É normal ouvir essas vozes? Dr Silvério encostou-se na sua cadeira, ponderou um pouco e disse Sim, é perfeitamente normal. Agora, nunca mais apareça por aqui.
quarta-feira, 29 de agosto de 2007
As vozes do Claustro.
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