quinta-feira, 15 de setembro de 2005

Se eu pensasse menos certamente seria uma pessoa mais pacífica.

Estou muito próximo de comprar uma das duas câmeras que venho desejando. Uma é da Canon e chama-se S2 IS. A outra é da Sony e tem o nome de DSC-H1. A S2 IS possui algumas vantagens, a DSC-H1 possui outras; mas, no geral, ambas são muitíssimo parecidas em termos técnicos. Essa similaridade já me tirou muitas horas através de um incômodo tormento chamado de "dúvida". Sei que soa bossal falar em "dúvida" quando o assunto é somente câmeras digitais. Que coisa mais vazia, não? Que coisa burguesa.

Sem dúvida, a dúvida é o luxo menos desejado que existe. Apenas os favorecidos financeiramente têm o luxo de sentir certas dúvidas. E não há argumentos que convençam que a dúvida não seja um luxo. É luxo sim. Mas não é um luxo facilmente classificado como "bom". É um luxo que não se quer tê-lo nem perdê-lo ao mesmo tempo. Exemplifiquemos (precisa?): eu queria poder ter o luxo de decidir em meio a dúvidas em qual universidade da Europa eu faria minha pós-graduação. Ao mesmo tempo, se esse luxo tivesse, detestaria estar com dúvida.

Bom, a verdade é que estou afogando em dúvidas. Não é só qual câmera comprar que me tira o juízo. É, também, por onde comprar. O MerdacoLivre costuma ser o local mais barato. E se opto por este site, aparecem, como galhos se ramificando, milhares de vendedores-opções para me atormentar ainda mais!! Não tem fim!!

Enquanto isso minha cama diz "venha", Dostoievski diz "lê-me", filmes coreanos em DivX dizem "e nós?". Até me assusto. É muita coisa e pouco tempo. Se eu pensasse menos certamente seria uma pessoa mais pacífica. Pensar me importuna e excita. Tipo vício. Tipo dúvida. É repugnante, mas é a verdade: Pensar é gostoso demais, mas me transforma numa pessoa em eterno estado de vigília. Numa pessoa que vive numa linha de tempo completamente distinta das outras. O tempo para mim é rápido e cruel. Para quem me vê, no entanto, o tempo parece ser-me um parceiro. Ele é sempre preguiçoso assim?, pensam certamente. Que se danem!, respondo em troca. Preguiçoso é quem não pensa.

Nossa! Ele se acha intelectual falando assim abertamente sobre sua capacidade de pensar!, alguns diriam horrorizados travestidos pela máscara da hipocrisia. É quase um crime ser um qualquer e se dizer inteligente. Não é só um risco (como, eu acredito, seria natural que fosse), é considerado grosseria. Oh, quanta bobagem. Que se danem! Sim, que se danem. Ofereço aos que assim pensam, todos os testículos enrugados do mundo.

(É, hoje estou sendo livresco, como diria Lisa em Notas do subterrâneo).

2 comentários:

Lauro Espíndola disse...

Com certeza é um vício difícil de se largar... Ahh, pouco importa, um dia se acostuma e pronto.
Dúvidas, elas sempre surgiram para aqueles que param pra pensar em algo.

Anônimo disse...

Pensar nos deixa socialmente perigosos...