quarta-feira, 21 de setembro de 2005

Do ponto final.

Eu queria ser o último dos escritores, pois é sempre no último que acreditamos mais. Então, teorizo, sem base alguma, a respeito desse fato não totalmente averiguado: no geral, acreditamos naquilo que tomamos conhecimento por último. Vejamos bem, se uma determinada informação nos arrebata num dia, pode muito bem ser anulada no dia posterior por uma outra informação adversa. Naturalmente, diria você. Novas informações são mais confiáveis que informações antigas, visto o percurso evolutivo do pensamento humano. Gargalho. É o que eu faço: gargalho. Quantas boas idéias ficaram perdidas no passado? Incontáveis! O que chamam de “evolução de pensamento” pode ser nada mais que falta de senso crítico e aceitação do que é imposto como correto pelos “Detentores de Conhecimento” do Mundinho Mágico da Academia. Peguemos a matemática como exemplo: na minha opinião poucas coisas são mais overrated, ou superestimadas, que a matemática. Existe todo um auê ao redor da matemática e das ciências exatas no geral que me irrita profundamente. Não é incomum ouvir em discussões o clássico bordão: "É matematicamente provado que...", ou "É cientificamente provado que...". Porra nenhuma! É cientificamente provado que 99% das pessoas que falam isso não sabem exatamente o que estão falando. É como se o fato de colocar a matemática ou a ciência no geral no meio da conversa adicionasse legitimidade aos argumentos patéticos de um orador qualquer. Mais uma vez: gargalho.

Visto isso, afirmo: o fato de valorizarmos mais as novas informações se dá numa fé cega na ciência, que já provou, milhares de vezes, ser absolutamente capaz de cometer as mais estapafúrdias formas de estupidez: como a invenção do despertador (assunto que será abordado num próximo post). No entanto, embora essa falta se senso crítico explique muito, dou-me o luxo de divagar um pouco mais sobre outros possíveis motivos da crença no novo...

Pensemos um pouco sobre o ato de querer acreditar no novo; Na sede de caminhar para frente. Estas estão entre as características gerais dos povos ocidentais (em oposição ao pensamento conservador visto em muitos dos povos orientais). Pensemos, com isso, que caminhar para frente, ou progredir, estão fisicamente relacionados com o ato de caminhar da esquerda para a direita. É natural do ser humano entender o progresso desta forma. É só lembrar que é esse o sentido da rotação da Terra; que esse é o sentido em que Mario e Luigi percorrem em suas aventuras para salvar o Reino dos Cogumelos das garras do malvado Bowser.

Um outro elemento importantíssimo que sugere um progresso no sentido esquerda-direita é a escrita. Neste caso, a escrita ocidental (chegamos aonde eu queria chegar desde o início). Desta forma, pode-se fazer um paralelo entre a sede de mudança do mundo ocidental e sua escrita onde a última palavra é acompanhada do ponto final. O ponto decisivo que representa o fim; A verdade absoluta. E assim pensam os ocidentais, onde cada palavra lida é mais verdadeira, mais evoluída e mais próxima da verdade que a anterior: já que a linha de pensamento ocidental não é circular, é retilínea; Onde, no final, está a verdade.

Já a forte paixão pelas tradições que caracteriza a maioria dos povos orientais poderia ser entendida através da forma como estes escrevem e lêem: da direita para esquerda. Ou seja: contrário ao movimento de rotação do nosso planeta. Contrário até ao movimento dos Marios e Luigis que eles mesmos criaram. E é nessa leitura que acredito que está enraizado o tradicionalismo oriental: numa busca pelo passado; Num entendimento de mundo em sentido inverso àquele que a natureza nos obriga a viver; No auto-conhecimento.

Retorno, então, ao início do meu post: Eu queria ser o último dos escritores, pois é sempre no último que acreditamos mais. E afirmo isso somente porque moro no Brasil, maldito país ocidental, imitador da sede de evolução dos grandes e natural esquecedor do passado.

Boa tarde.

2 comentários:

Lauro Espíndola disse...

É... realmente, é complicado pensar nessas coisas, concordo com a parte que fala do povo sempre usar a matemática em discurções... ela pode não ser a única que está correta.

Anônimo disse...

Concordo com muito do que dizes. E acrescento o que lauro falou. A matemática às vezes se auto contradiz.
MAs também, não existe uma verdade absoluta. E não podemos viver apenas tentando encontrar o passado, pq apesar de só olharmos para o futuro, foi a partir disso que começamos a evoluir. Se não existissem pessoas com um visão para o novo, não estariamos discutindo isso em uma rede mundial.
Acho que talvez por isso, a teoria de que pontos contrários trazem o equilibrio esteja certa.
as de uqlauqer forma gostei muito do post. :)
BJu.