quarta-feira, 9 de maio de 2007

Da rigidez à impotência, ao Wikipedia.

Eu acredito num pensamento assistemático, sem definições fechadas, obrigações metodológicas ou engaiolamentos temáticos. Pensamento bom é pensamento cru. Desdobrar é pedir desnecessárias desculpas pela crueza das verdades que construímos através da nossa experiência pessoal. Talvez eu até exclua dessa minha crítica desdobramentos com finalidades puramente didáticas, visto que a inexistência desses didatismos colocaria em risco de colapso o próprio sistema educacional do mundo em que vivo (não que tal colapso seja tão ruim quanto soe, mas sem dúvida seria um inconveniente social pelo qual não quero me sentir nem um pouco responsável e nem esse é o meu objetivo), mas no geral a construção do saber vem se dado em fórmulas, que é precisamente o que aqui condeno. Ainda carregamos toneladas do pensamento cartesiano e somos influenciados por este em determinadas tomadas de decisões que fazemos no decorrer da vida. Quem nunca achou que precisava deixar o coração de lado numa busca por resposta a alguma questão em particular? Essa idéia de que o coração pode, de alguma forma, ser deixado de lado ou ao menos ter suas influências diabólicas diluídas num substrato dito racional é essencialmente equivocada. Fazê-lo seria anular o que nos faz verdadeiramente humanos. Somos constituídos fundamentalmente de pensamentos, e esses pensamentos não se classificam em puramente racionais ou emotivos, em verdadeiras ou falsos, em plausíveis ou implausíveis. Esses pensamentos são fluidos ativos e inativos ao mesmo tempo. Bons e maus.

Sistematizar idéias e gerar taxonomias pode até ser interessante num processo de introdução e apresentação de pensamentos (admito... talvez...), mas não o é no Mundo Ideal, num mundo onde todos se reconheçam como seres humanos pensantes e orgulhem-se da compreensão que fazem das suas próprias idéias, sejam estas compartilhadas ou não. Se for para existir desdobramentos, que sejam antes da idéia sair da cabeça que a gerou.

Ou talvez eu esteja sendo absolutamente paradoxal e ridículo nessas minha idéia admitidamente ainda patética e com profundidade de uma poça d'água, mas promissora naquilo que eu entendo como meu próprio universo e verdade. Uma verdade que se deleita ao encontrar paradoxos cômicos como o meu amor pelo conceito por trás do Wikipedia, que nada mais é do que o exemplo máximo do que seria uma mega taxonomia pós-moderna do mundo a la Matrix.

Ah, como eu me orgulho de ser uma pessoa contraditória...

4 comentários:

Anônimo disse...

Bu, vc não só é contraditório como tb tem um coração gigante. Melhor, o mundo precisa muito de pessoas como vc.Mainha

Anônimo disse...

Caiu como uma luva esse texto...
justamente no momento em que meu conceito de verdade está se "ampliando" de forma assustadora. Ou seria "se dissolvendo"?

Bom...vc entendeu!

Mto mto bom, tio! Amei!

Marcelo Almeida dos Reis. disse...

Você disse uma certa vez: "Há uma verdade para cada um de nós". Se não foi isso, foi algo bem parecido. E é bem verdade. :)

Anônimo disse...

E viva o pensamento cartesiano!!!
:P