sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Playstation: Animais de Estimação.

Kelma liga para a Americanas do Jardins:

KELMA: Oi, gostaria de saber se "The Sim 2: Animais de Estimação" chegou.
ATENDENTE: Não entendi, senhora.
KELMA: "The Sims 2", "Animais de Estimação".
ATENDENTE: Playstation, senhora?
KELMA: "T-H-E", "S-I-M-S", "D-O-I-S", "A-N-I-M-A-I-S", "D-E", "E-S-T-I-M-A-C-CEDILHA-A-O-TIL".
ATENTENDE: Uh... hã... aguarde um momento, senhora.

(um momento passa)

ATENDENTE: Senhora?
KELMA: Sim?
ATENDENTE: Playstation está em falta.

Kelma desliga o telefone.

Aracaju é mesmo uma província.

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

Como fui deixar isso acontecer?

Juro que não sei. Sempre fui conhecido pela minha capacidade de manter elementos bi ou tridimensionais em estado de equilíbrio visual, numa harmonia que me garantia a qualidade de vida. Está tudo acabado. A desorganização é como um câncer, uma vez ali, alojada, não tem como removê-la. Corta-se uma cabeça e outras mil aparecerão. E o peso sob minha escrivaninha não é apenas físico; há nela todo o pesar invisível do desespero, da pressa, da preguiça e da ansiedade. Mesmo tendo tido a obrigação de passar pelo patético processo de seleção das universidades que cursei, nunca me senti tão cobrado por mim mesmo quanto me sinto hoje. Há dias que luto para não passar todos os seus minutos pensando nas barreiras que se projetam sorridentes ante mim. Muitos dos meus colegas passaram por algo parecido diante da competição tenebrosa da saída do segundo grau. E confesso que nunca respeitei tanto medo e angústia. Hoje sinto na pele o que é precisar dar um passo correto e preciso, diante de uma concorrência desleal: o tempo.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

Complexo de épico.

No trepidar do piso; no agitar dos olhares; no apertar do peito; sinto que o próximo trem se aproxima. E depois de duas décadas de vivência nessa humilde estação, sem nunca ter coragem de pôr-me vagão à dentro (seja lá por qual razão – e foram diversos e justos os motivos), penso sentir uma agitação morna e borbulhante a me despertar. Não que essa inquietação seja prova de que, por fim, irei. Não, não. Já senti isso antes. Muitas outras vezes. A diferença é que dessa vez percebo, vagamente, existir uma atmosfera propícia para que, de fato, consume-se o meu rito de passagem. Aquele do Herói, com letra maiúscula pra enfatizar. Não descarto, porém, a possibilidade dessa atmosfera não passar de um artifício cruel do meu cérebro. Uma espécie de teaser de um filme que nunca entrará em exibição nas salas de cinema da quais tenho acesso. Ó cérebro mau, o meu! Quer, não quer, quer, mete medo, engana. Seja como for, acho que estou confiante. Se o trem vier, dessa vez não permitirei que parta sem mim, sem meu amor, sem minhas bagagens, sem minha coragem e inocência. Irei, enfim, seja para onde for. Para os confins, para os céus e infernos que hão de existir de qualquer forma, seja nessa estação, seja em outra maior, melhor; numa que me veja com olhos virgens. Argh, será bobagem? Será burrice estar cá a divagar nos meus sonhos de crianças tão persistentes e filhos da puta? Maldições eternamente vinculadas a esse corpo? Um câncer sem fim que já me cobre a alma por completo? Vejo-me obrigado a pensar que se assim for, que seja para o bem; que, de alguma forma, devo tirar proveito da sina. Tomar decisões mais inteligentes que as do Rei Midas, por exemplo. E, se o trem vier, repito, irei. Sim, irei. Jogar-me-ei por completo na profundeza dos meus desejos megalomaníacos. E o Mundo, por fim, se curvará sobre o seu verdadeiro Deus: Eu.

terça-feira, 10 de janeiro de 2006

Para quem não conhece Claustro.

Esse foi o meu primeiro curta do qual sinto orgulho. Foi um mês de pré-produção, e outros dois de produção e pós-produção. No final fiquei satisfeito com o produto, embora sempre encontre um defeito aqui ou outro ali que poderia ter corrigido se tivesse tido mais tempo, ou recursos.

Marcelo, como Claustro, está perfeito. Nem muito. Nem pouco. Na medida. A edição tomou-me mais tempo do que deveria, pois tive que aprender a usar o Adobe Premiere Pro na tora para poder fazer terminar o projeto.

A produção foi interrompida durante um tempo devido a morte do meu pai. Lembro dele assistindo um pedaço do curta, que nem estava totalmente editado ainda (aquela parte onde Clautro arruma-se para trabalhar)... recordo-me que adorou.

Para quem ainda não assistiu, hospedei o curta no Internet Archive. O link é: http://www.archive.org/details/BrunoOBarrossandalias

Pretendo, em breve, enviá-lo para o projeto Porta Curta da Petrobrás. Enviarei também o último curta que fiz; O nome é "Estática." e nele é clara a minha paixão pelo olhar Lynchiniano do cinema. Brincar com o surreal é um dos maiores prazeres que tenho. Devo, logo, colocar "Estática." para download também...

segunda-feira, 26 de dezembro de 2005

Me roubaram o artigo.

Eu não sou o Bruno, ou o BOB (se preferir). Eu sou Bruno, ou BOB (se preferir). Ninguém vem para a casa do Bruno, ou do BOB (se preferir). Todos vêm para a casa de Bruno ou de BOB (se preferir). Nasci no Nordeste, sem preferir, e logo de cara me roubaram o artigo que, nas outras regiões do país, precede o nome próprio. Não há motivo aparente para a existência desses artigos, já que pouquíssimos nomes próprios brasileiros são unisex; nossos Sidneis são homens e nossas Cris são mulheres. E, segundo o Chico (com artigo, porque é do Rio), o português brasileiro é a única língua do mundo a se auto-complicar através de tais artigos desnecessários, mas simpáticos. Aqui no Nordeste, porém, a simpatia desse posicionamento de artigos inexiste. Aqui as pessoas encontram outras formas de expressar tal sentimento: comendo cuscuz; dançando forró; permitindo que Falcões e Babaus do Pandeiro existam; falando oxente; e aí vai...

sábado, 24 de dezembro de 2005

Gozando.

Brincando com a letra do Chico:

Deus é um cara gozador, adora brincadeira;
Pois prá me jogar no mundo, tinha o mundo inteiro;
Mas achou muito engraçado me botar cabreiro,
Na barriga da miséria, nasci
brasileiro.

E se os espíritas estiverem corretos, o gozador sou eu mesmo. Por outro lado, morar no país onde nada é levado à sério tem seus pontos positivos... mas não consigo lembrar de nenhum agora.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2005

Isso é o que eu chamo de férias!!

Encontrei numa discussão no Orkut um cara que possui o mesmo raciocínio que eu sempre pensei ser só meu: Deus é a apoteose do ócio. Tá certo que no início Ele deve ter tido um trabalho do caralho desenvolvendo trilhões de fórmulas matemáticas, físicas e químicas que fizessem algum sentido; Tá certo que além de fazer tantas contas e programar todo o funcionamento do Universo™ (nome que Ele mesmo deu ao seu super-software), Ele ainda teve que exercitar bastante a imaginação e criatividade para criar equações que levariam ao aparecimento de criaturas como o babuíno ou Kelly Key. Mas pensemos bem... ele só trabalhou seis dias... Repito: devem ter sido seis LONGOS dias; Mas, ainda assim, bilhões de anos de férias é demais até mesmo para mim.

O que acontece é que Deus foi esperto. Na verdade, ele foi muito esperto. A idéia de criar as Leis de Deus™ (compilação das leis matemáticas, físicas, químicas, morais e éticas), garantiu-lhe que o Universo™ funcionasse por conta própria. Deus seria, a partir do Sétimo Dia, o voyeur definitivo. É como uma criança que responde todas as questões dos livros escolares ainda na primeira semana de aula, para passar o resto do ano na folga.

Não me entendam mal. Não estou criticando Deus. Longe de mim. Inclusive, se eu estivesse no Seu lugar provavelmente faria a mesma coisa... A diferença é que o meu Universo seria bem pior, já que matemática nunca foi o meu forte; Ia dar tanto bug que, se brincar, o Apocalipse (encontrado em Iniciar > Painel de Controle > Adicionar/Remover Programas) seria inevitável em menos de um ano.

Toda essa questão me leva ao ponto principal desse post... Deus existiu. Isso é um fato. Então, a pergunta é: Ele ainda existe? Pois pense bem: ele não precisa existir, já que as Leis de Deus™ proporciona o funcionamento do Universo™ por tempo indeterminado. Pode ser que Deus simplesmente tenha morrido de tédio durante esses bilhões de anos. Será que ele aguentou assistir toda a Idade Média, por exemplo? Foi tempo pra burro.

De qualquer forma, isso tudo levanta um questionamento bastante usual quando se pensa em Deus e em todas essas coisas grandõnas que Ele fez: Se Deus fez tudo isso, quem fez Deus? Confesso que eu também tinha essa dúvida antes do Orkut. No entanto, foi-me sanada com a seguinte resposta (bastante satisfatória, diga-se de passagem) de um Orkuteiro qualquer: "Deus não têm causa, porque toda causa é uma ação que se dá no tempo, anterior a um efeito. Sendo Deus criador do Tempo, não haveria um antes que o denotasse como um efeito".

Perfeito, não?

sexta-feira, 2 de dezembro de 2005

A verdade é que todas as pessoas que você conhece, um dia irão morrer. E não faça disso um grande auê.

The Flaming Lips - Do you realize?

Do you realize that you have the most beautiful face?
Do you realize we're floating in space?
Do you realize that happiness makes you cry?
Do you realize that everyone you know someday will die?

And instead of saying all of your goodbyes, let them know
You realize that life goes fast
It's hard to make the good things last
You realize the sun doesn't go down
It's just an illusion caused by the world spinning round.

quarta-feira, 30 de novembro de 2005

Um saci roubou meu Neosoro!

Que droga. Não é a primeira vez que acontece e, se continuar assim, não será a última. Deixei meu Neosoro (o genérico do Sorini) ao lado do celular na cama e fui na cozinha buscar algo para me alimentar. Quando voltei, apenas meu celular estava lá. O saci levou meu remédio de nariz!

E, aposto, lá vai ele, feliz da vida com os seus oitenta centímetros e um Neosoro nos braços. Maldito! Deve estar cantando:

Iê, vê só
Como se diz na mata:
"Ingrato é
quem deixa largado
o que tanto quer!"

Iê, vê só
O saci na hora exata
em que abandonado foi,
resgata pra quem quer!


Quem essas horrendas criaturas oportunistas pensam que são, afinal? Seus smurfs cotós! Se roubarem mais um Neosoro meu, terei que tomar medidas drásticas. Na próxima reunião de condomínio o síndico do prédio ficará sabendo do que vem acontecendo.

quinta-feira, 3 de novembro de 2005

Meu pai. Meu fantástico pai.

Meu pai estará eternamente no meu coração e no coração de todos que tiveram a oportunidade de conhecer a pessoas fantástica e brincalhona que ele era. Onde havia lágrima, meu pai, com um par de piadas bobocas e seu largo sorriso, conseguia fazer brotar felicidade. O mundo vai lembrar da sua inteligência e sagacidade; do seu humor afiado e boboca ao mesmo tempo; do seu sorriso maroto; das suas bermudas velhinhas e surradas que ele nunca queria que lavasse; da sua barrigõna de grávido; do seu abraço forte de doer; das suas bochehas; do seu cabelo branco e queimado; dos seus dedos sujos de tanto cigarro; das suas sandálias velhíssimas; das suas unhas mal cortadas; dos seus belíssimos ternos; do seu cheiro gostoso de papai; das suas eternas fitinhas de Senhor do Bomfim; das suas sonecas à tarde; dos seus blogs duradouros; do seu querido profile no Orkut; das suas comunidades; do seu amor pela Bahia; de quando ele te pegava pequenininho e ficava cheirando seu pé e dizendo que você está com chulé; dos seus discos do Roberto; do seu amor por Sandra Bullock; do quanto ele gostava do Pânico; do quanto ele ficava feliz quando seu filho assistia o Teste de Fidelidade com ele; das suas dúvidas em Inglês; dos seus presentes tão bem dados; do seu bigodinho falho quando deixava a barba crescer; das pernas finas; da sua voz retumbante; de quando ele dizia que Star Wars era filme pra criança, mas na verdade ele não gostava de cinema porque tinha que passar 2h sem fumar; dos cinzeiros espalhados pela casa; do cuidado que ele tinha com seu carro, tanto que nunca o usava; da sua preocupação em ter seus direitos respeitados; dos seus olhinhos apertados; da sua boca num formato estranho quando ele tava assistindo TV; da molhadeira que ele fazia no banheiro quando tomava banho; de quando reclamava porque o açúcar não estava na mesa; da forma como ele perguntava “cadê a sua mãe?” sempre que chegava em casa; das madrugadas em claro; dos chopes; de quando ele dizia “Te amo, pai”; do seu brochinho da OAB; das suas diárias citações de Falcão; de como ele chamava Paulinha de “Pinha”; de como ele se orgulhava das coisas mais bobas do mundo; de como ele cuidava do seu PC tão velhinho; de como ele brigava quando alguém esquecia a chave e ele tinha que abrir a porta; de tanta coisa que não dá pra lembrar direito agora... do seu carinho; do seu amor.