No trepidar do piso; no agitar dos olhares; no apertar do peito; sinto que o próximo trem se aproxima. E depois de duas décadas de vivência nessa humilde estação, sem nunca ter coragem de pôr-me vagão à dentro (seja lá por qual razão – e foram diversos e justos os motivos), penso sentir uma agitação morna e borbulhante a me despertar. Não que essa inquietação seja prova de que, por fim, irei. Não, não. Já senti isso antes. Muitas outras vezes. A diferença é que dessa vez percebo, vagamente, existir uma atmosfera propícia para que, de fato, consume-se o meu rito de passagem. Aquele do Herói, com letra maiúscula pra enfatizar. Não descarto, porém, a possibilidade dessa atmosfera não passar de um artifício cruel do meu cérebro. Uma espécie de teaser de um filme que nunca entrará em exibição nas salas de cinema da quais tenho acesso. Ó cérebro mau, o meu! Quer, não quer, quer, mete medo, engana. Seja como for, acho que estou confiante. Se o trem vier, dessa vez não permitirei que parta sem mim, sem meu amor, sem minhas bagagens, sem minha coragem e inocência. Irei, enfim, seja para onde for. Para os confins, para os céus e infernos que hão de existir de qualquer forma, seja nessa estação, seja em outra maior, melhor; numa que me veja com olhos virgens. Argh, será bobagem? Será burrice estar cá a divagar nos meus sonhos de crianças tão persistentes e filhos da puta? Maldições eternamente vinculadas a esse corpo? Um câncer sem fim que já me cobre a alma por completo? Vejo-me obrigado a pensar que se assim for, que seja para o bem; que, de alguma forma, devo tirar proveito da sina. Tomar decisões mais inteligentes que as do Rei Midas, por exemplo. E, se o trem vier, repito, irei. Sim, irei. Jogar-me-ei por completo na profundeza dos meus desejos megalomaníacos. E o Mundo, por fim, se curvará sobre o seu verdadeiro Deus: Eu.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2006
Complexo de épico.
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Bruno O. Barros
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7:47 PM
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terça-feira, 10 de janeiro de 2006
Para quem não conhece Claustro.
Esse foi o meu primeiro curta do qual sinto orgulho. Foi um mês de pré-produção, e outros dois de produção e pós-produção. No final fiquei satisfeito com o produto, embora sempre encontre um defeito aqui ou outro ali que poderia ter corrigido se tivesse tido mais tempo, ou recursos.
Marcelo, como Claustro, está perfeito. Nem muito. Nem pouco. Na medida. A edição tomou-me mais tempo do que deveria, pois tive que aprender a usar o Adobe Premiere Pro na tora para poder fazer terminar o projeto.
A produção foi interrompida durante um tempo devido a morte do meu pai. Lembro dele assistindo um pedaço do curta, que nem estava totalmente editado ainda (aquela parte onde Clautro arruma-se para trabalhar)... recordo-me que adorou.
Para quem ainda não assistiu, hospedei o curta no Internet Archive. O link é: http://www.archive.org/details/BrunoOBarrossandalias
Pretendo, em breve, enviá-lo para o projeto Porta Curta da Petrobrás. Enviarei também o último curta que fiz; O nome é "Estática." e nele é clara a minha paixão pelo olhar Lynchiniano do cinema. Brincar com o surreal é um dos maiores prazeres que tenho. Devo, logo, colocar "Estática." para download também...
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Bruno O. Barros
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3:11 PM
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segunda-feira, 26 de dezembro de 2005
Me roubaram o artigo.
Eu não sou o Bruno, ou o BOB (se preferir). Eu sou Bruno, ou BOB (se preferir). Ninguém vem para a casa do Bruno, ou do BOB (se preferir). Todos vêm para a casa de Bruno ou de BOB (se preferir). Nasci no Nordeste, sem preferir, e logo de cara me roubaram o artigo que, nas outras regiões do país, precede o nome próprio. Não há motivo aparente para a existência desses artigos, já que pouquíssimos nomes próprios brasileiros são unisex; nossos Sidneis são homens e nossas Cris são mulheres. E, segundo o Chico (com artigo, porque é do Rio), o português brasileiro é a única língua do mundo a se auto-complicar através de tais artigos desnecessários, mas simpáticos. Aqui no Nordeste, porém, a simpatia desse posicionamento de artigos inexiste. Aqui as pessoas encontram outras formas de expressar tal sentimento: comendo cuscuz; dançando forró; permitindo que Falcões e Babaus do Pandeiro existam; falando oxente; e aí vai...
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Bruno O. Barros
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1:42 PM
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sábado, 24 de dezembro de 2005
Gozando.
Brincando com a letra do Chico:
Deus é um cara gozador, adora brincadeira;
Pois prá me jogar no mundo, tinha o mundo inteiro;
Mas achou muito engraçado me botar cabreiro,
Na barriga da miséria, nasci brasileiro.
E se os espíritas estiverem corretos, o gozador sou eu mesmo. Por outro lado, morar no país onde nada é levado à sério tem seus pontos positivos... mas não consigo lembrar de nenhum agora.
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Bruno O. Barros
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9:27 PM
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quinta-feira, 8 de dezembro de 2005
Isso é o que eu chamo de férias!!
Encontrei numa discussão no Orkut um cara que possui o mesmo raciocínio que eu sempre pensei ser só meu: Deus é a apoteose do ócio. Tá certo que no início Ele deve ter tido um trabalho do caralho desenvolvendo trilhões de fórmulas matemáticas, físicas e químicas que fizessem algum sentido; Tá certo que além de fazer tantas contas e programar todo o funcionamento do Universo™ (nome que Ele mesmo deu ao seu super-software), Ele ainda teve que exercitar bastante a imaginação e criatividade para criar equações que levariam ao aparecimento de criaturas como o babuíno ou Kelly Key. Mas pensemos bem... ele só trabalhou seis dias... Repito: devem ter sido seis LONGOS dias; Mas, ainda assim, bilhões de anos de férias é demais até mesmo para mim.
O que acontece é que Deus foi esperto. Na verdade, ele foi muito esperto. A idéia de criar as Leis de Deus™ (compilação das leis matemáticas, físicas, químicas, morais e éticas), garantiu-lhe que o Universo™ funcionasse por conta própria. Deus seria, a partir do Sétimo Dia, o voyeur definitivo. É como uma criança que responde todas as questões dos livros escolares ainda na primeira semana de aula, para passar o resto do ano na folga.
Não me entendam mal. Não estou criticando Deus. Longe de mim. Inclusive, se eu estivesse no Seu lugar provavelmente faria a mesma coisa... A diferença é que o meu Universo seria bem pior, já que matemática nunca foi o meu forte; Ia dar tanto bug que, se brincar, o Apocalipse (encontrado em Iniciar > Painel de Controle > Adicionar/Remover Programas) seria inevitável em menos de um ano.
Toda essa questão me leva ao ponto principal desse post... Deus existiu. Isso é um fato. Então, a pergunta é: Ele ainda existe? Pois pense bem: ele não precisa existir, já que as Leis de Deus™ proporciona o funcionamento do Universo™ por tempo indeterminado. Pode ser que Deus simplesmente tenha morrido de tédio durante esses bilhões de anos. Será que ele aguentou assistir toda a Idade Média, por exemplo? Foi tempo pra burro.
De qualquer forma, isso tudo levanta um questionamento bastante usual quando se pensa em Deus e em todas essas coisas grandõnas que Ele fez: Se Deus fez tudo isso, quem fez Deus? Confesso que eu também tinha essa dúvida antes do Orkut. No entanto, foi-me sanada com a seguinte resposta (bastante satisfatória, diga-se de passagem) de um Orkuteiro qualquer: "Deus não têm causa, porque toda causa é uma ação que se dá no tempo, anterior a um efeito. Sendo Deus criador do Tempo, não haveria um antes que o denotasse como um efeito".
Perfeito, não?
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Bruno O. Barros
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5:30 PM
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sexta-feira, 2 de dezembro de 2005
A verdade é que todas as pessoas que você conhece, um dia irão morrer. E não faça disso um grande auê.
The Flaming Lips - Do you realize?
Do you realize that you have the most beautiful face?
Do you realize we're floating in space?
Do you realize that happiness makes you cry?
Do you realize that everyone you know someday will die?
And instead of saying all of your goodbyes, let them know
You realize that life goes fast
It's hard to make the good things last
You realize the sun doesn't go down
It's just an illusion caused by the world spinning round.
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Bruno O. Barros
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3:39 PM
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quarta-feira, 30 de novembro de 2005
Um saci roubou meu Neosoro!
Que droga. Não é a primeira vez que acontece e, se continuar assim, não será a última. Deixei meu Neosoro (o genérico do Sorini) ao lado do celular na cama e fui na cozinha buscar algo para me alimentar. Quando voltei, apenas meu celular estava lá. O saci levou meu remédio de nariz!
E, aposto, lá vai ele, feliz da vida com os seus oitenta centímetros e um Neosoro nos braços. Maldito! Deve estar cantando:
Iê, vê só
Como se diz na mata:
"Ingrato é
quem deixa largado
o que tanto quer!"
Iê, vê só
O saci na hora exata
em que abandonado foi,
resgata pra quem quer!
Quem essas horrendas criaturas oportunistas pensam que são, afinal? Seus smurfs cotós! Se roubarem mais um Neosoro meu, terei que tomar medidas drásticas. Na próxima reunião de condomínio o síndico do prédio ficará sabendo do que vem acontecendo.
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Bruno O. Barros
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2:50 AM
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quinta-feira, 3 de novembro de 2005
Meu pai. Meu fantástico pai.
Meu pai estará eternamente no meu coração e no coração de todos que tiveram a oportunidade de conhecer a pessoas fantástica e brincalhona que ele era. Onde havia lágrima, meu pai, com um par de piadas bobocas e seu largo sorriso, conseguia fazer brotar felicidade. O mundo vai lembrar da sua inteligência e sagacidade; do seu humor afiado e boboca ao mesmo tempo; do seu sorriso maroto; das suas bermudas velhinhas e surradas que ele nunca queria que lavasse; da sua barrigõna de grávido; do seu abraço forte de doer; das suas bochehas; do seu cabelo branco e queimado; dos seus dedos sujos de tanto cigarro; das suas sandálias velhíssimas; das suas unhas mal cortadas; dos seus belíssimos ternos; do seu cheiro gostoso de papai; das suas eternas fitinhas de Senhor do Bomfim; das suas sonecas à tarde; dos seus blogs duradouros; do seu querido profile no Orkut; das suas comunidades; do seu amor pela Bahia; de quando ele te pegava pequenininho e ficava cheirando seu pé e dizendo que você está com chulé; dos seus discos do Roberto; do seu amor por Sandra Bullock; do quanto ele gostava do Pânico; do quanto ele ficava feliz quando seu filho assistia o Teste de Fidelidade com ele; das suas dúvidas em Inglês; dos seus presentes tão bem dados; do seu bigodinho falho quando deixava a barba crescer; das pernas finas; da sua voz retumbante; de quando ele dizia que Star Wars era filme pra criança, mas na verdade ele não gostava de cinema porque tinha que passar 2h sem fumar; dos cinzeiros espalhados pela casa; do cuidado que ele tinha com seu carro, tanto que nunca o usava; da sua preocupação em ter seus direitos respeitados; dos seus olhinhos apertados; da sua boca num formato estranho quando ele tava assistindo TV; da molhadeira que ele fazia no banheiro quando tomava banho; de quando reclamava porque o açúcar não estava na mesa; da forma como ele perguntava “cadê a sua mãe?” sempre que chegava em casa; das madrugadas em claro; dos chopes; de quando ele dizia “Te amo, pai”; do seu brochinho da OAB; das suas diárias citações de Falcão; de como ele chamava Paulinha de “Pinha”; de como ele se orgulhava das coisas mais bobas do mundo; de como ele cuidava do seu PC tão velhinho; de como ele brigava quando alguém esquecia a chave e ele tinha que abrir a porta; de tanta coisa que não dá pra lembrar direito agora... do seu carinho; do seu amor.
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Bruno O. Barros
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2:10 AM
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sexta-feira, 21 de outubro de 2005
Os balões assassinos da Blockbuster.
Fui na Blockbuster hoje com Kelminha, Danilo, Márcia Borracha e Marcelo. Enquanto procurávamos um bom filme, Márcia pegou para ela uma das bexigas com propaganda da locadora que estavam espalhadas entre os expositores. Quando fomos pagar o filme no caixa o funcionário disse "essas bexigas são para crianças somente". Incrédulo, ainda tentei brincar: "e quem disse que ela não é criança?", perguntei. "Tem que devolver", ele respondeu. Devolvemos.
Não acredito que uma empresa como a Blockbuster realmente precisa que aqueles balões de 5 centavos sejam entregues somente a crianças. Não acredito que o corporativismo necessariamente tenha que devorar o humor dessas grandes empresas. Definitivamente me recuso a acreditar que aquele funcionário fodido nos mandou devolver o balão porque adultos não podem ter bexigas! Recuso-me acreditar que o fez porque assim foi orientado pelos superiores! Prefiro muito mais acreditar que pouco antes de chegarmos, Samuel (nome aleatório que escolhi para o funcionário que nos atendeu), enquanto limpava algumas caixas de DVD sujas, fora abordado por um grupo de bexigas que de repente haviam adquirido vida!!
- O que querem? – chocado, perguntou Samuel.
- Cale a boca, humano! Quem dá as cartas aqui somos nós! - replicou a bexiga do meio. - Você fará tudo o que mandarmos!
- Hein? Quem você pensa que é? - gritou Samuel num gesto ameaçador.
- Se eu fosse você pensaria duas vezes antes de se aproximar de mim, humano!
- Ah, é? Porque? - desafiou Samuel, formulando no rosto um sorriso irônico.
- Nós Balões do Governo Galáctico de Eh-Pique somos recheados com o mais poderoso dos venenos: O Sopro de Roberto.
Samuel, então, põe-se a rir descontroladamente. É claro que não conseguia levar à sério nada daquilo que o balão azul do meio estava falando. Certamente tratava-se de uma brincadeira de mal gosto... No entanto, os Balões de Eh-Pique precisaram não mais que meio minuto para provar o quanto Samuel estava enganado.
- Ri, maldito! Ri! Vejo que não acredita em nós. Pois bem. Vê ali o seu companheiro distraído? Sim, seu querido amigo Adolfo. Veja-o com carinho, pois será a última vez que o verá!
De repente, três balões surgiram do nada por trás de Adolfo, que ria sozinho vendo capas de DVDs na seção infantil. Pop. Pop. Pop. Os três balões estouraram perto de Adolfo e uma névoa verde-amarelada espalhou-se ao seu redor. O melhor amigo de Samuel mal teve tempo de clamar por ajuda. Meio segundo foi o tempo necessário para que o som seco do corpo de Adolfo chocando-se contra o chão chegasse aos ouvidos de Samuel.
- Por Deus!! Por Deus!! - gritou Samuel desesperado.
- Pois, então! - disse o Balão Líder sorrindo - Agora entende quem com está lidando? É melhor nos obedecer, ou as coisas acabarão muito mal para o seu lado.
Aterrorizado, não havia mais nada que Samuel pudesse fazer...
- Tudo bem, tudo bem! O que querem que eu faça?
- Veja bem... estamos a procura de um filme chamado Um Piromaníaco Apaixonado. Você irá encontrá-lo a qualquer custo! Nosso povo depende desse filme para sobreviver aos ataques das malditas Irmãs Yan Kwon!
- Um Piromaníaco Apaixonado? Nunca ouvi falar, senhor.
- Quer morrer, desgraçado?! Quer morrer?! Seu maldito, filho de uma puta, estuprado!! - gritou furiosamente o Balão Líder. - Não estou disposto a engolir sua estupidez!! Você tem 3 minutos para achar esse filme!!
- Mas senhor... eu-
- CALE A BOCA, SEU PUTO!! CALE ESSA BOCA MALDITA DO INFERNO!! ACHE A PORRA DO FILME JÁ!!
Nesse mesmo instante, o barulho de passos ecoou no vazio do silêncio deixado pelo grito do Balão Líder. Havia alguém se aproximando.
- Senhor, devem ser clientes.
- Livre-se deles, desgraçado!
- Não posso, senhor. Eles vão desconfiar.
- Mata-los-ei, então!!
Samuel, tomado por um profundo senso de responsabilidade, tomou a atitude que veio as nos salvar:
- Não, senhor. Não posso permitir isso. Antes de qualquer coisa, sou um funcionário da Blockbuster e meu dever é atender os clientes. Deixe-me atendê-los e assim que eles forem embora, atenderei ao senhor com o maior prazer. Se por acaso colocar em risco a vida desses clientes, serei obrigado a deixar que o senhor me mate. Dessa forma você jamais encontrará o filme que tanto deseja!
Alguns segundos se passaram sem que o Balão Líder abrisse a boca. O silêncio era tomado somente pelo som de pessoas felizes se aproximando.
- Maldição, humano! Você venceu. Vamos nos disfarçar de balões decorativos até que os clientes se retirem do recinto. Depois você achará o filme que eu preciso por bem ou por mau!
Quase que não dá tempo dos balões se posicionarem. Foi aí, então, que chegamos na Blockbuster e, ao sairmos, graças ao bom caráter de Samuel, tivemos nossas vidas salvas da penosa morte que se dá pela asfixia do Sopro de Roberto.
Viva Samuel e a Blockbuster!!
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Bruno O. Barros
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4:41 AM
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quinta-feira, 20 de outubro de 2005
O Senhor das Armas.

É impressão minha ou está na moda explorar as mazelas africanas em Hollywood? Entendamos essa tendência... O cinema-pipoca está sempre em busca de novos vilões:
- Na década de 70 e 80 Hollywood não foi nenhum pouco original e optou pelo óbvio; a Guerra Fria serviu como base para o surgimento dos vilões soviéticos (quem não lembra de Ivan Drago, que lutou com Rocky Balboa em Rocky IV?);
- Na década de 90 as coisas perderam um pouco a graça, visto a queda do muro de Berlin (que merda, devem ter ditos os produtores e diretores). Hollywood estava acostumada com duas décadas de vilões fáceis. Então, porque não relembrar um pouco os Grandes Vilões Definitivos da Humanidade? Quem venham os Nazistas e a Lista de Schindler!
- No início dessa nossa década houve uma tentativa de se usar o terrorismo como tema (aproveitando-se dos atentados em Nova Iorque), mas logo Hollywood percebeu que seria de mal gosto (ainda mais quando o presidente sendo tão duramente criticado por suas atitudes bélicas); Surge, então, meio que do nada, a temática Africana!
Pelo que me recordo o primeiro filme-pipoca a abordar as guerrilhas internas da África foi Falcão Negro em Perigo. E só esse ano já temos Hotel Ruanda (embora há quem diga que não é Hollywoodiano), O Jardineiro Fiel e O Senhor das Armas.
E por falar nisso...
Acabei de voltar do cinema e adorei muito esse novo filme de Andrew Niccol (que foi o roteirista de filmes excelentes como Terminal e O Show de Truman). O Senhor das Armas é, embora um filme-pipoca, um filme-denúncia. E que filme-denúncia!! A história do cínico Yuri Orlov (interpretado brilhantemente por Nicolas Cage) é contada quase que como num documentário... não! Minto! Quase que como num reality show do A&E Mundo, com direito a narração em primeira pessoa e as porra!
Digo que O Senhor das Armas funciona mais como filme-denúncia que como filme-pipoca (pelo menos aqui no Brasil) principalmente se levarmos em conta a proximidade em que estamos da votação do referendo sobre o desarmamento. O filme mostra com detalhes como funciona o tráfico de armas em escala mundial.
Além de transformar essa complexa rede de ilegalidade em uma coisa de fácil entendimento para público, Andrew Nicool também consegue dosar com perfeição elementos de humor em todo o filme, sempre recheados de muito cinismo, como quando Orlov diz que nunca vendeu armas para Osama Bin Laden porque ele tinha fama de só mandar cheques sem fundos.
Esse eu recomendo do fundo do coração! Filme nota 10!
Escrito por
Bruno O. Barros
às
2:40 AM
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