terça-feira, 18 de março de 2008

Mos Paulo Afonso: Hino comentado.

"Copa Vela."

Sempre, sempre, sempre vi Paulo Afonso como meu Tatooine. Reconheço, porém que trata-se de uma analogia pouco acurada. Se pensar melhor logo verei que fica melhor entender Tatooine como a versão de George Lucas do Terceiro Mundo, enquanto Paulo Afonso seria minha Mos Eisley e Aracaju minha Mos Espa.

Faz tempo que não vou para Paulo Afonso e às vezes fico morrendo de vontade de dar um pulo lá pra ver como andam as coisas: a velha rua onde eu morava, o bar da pracinha onde meu pai bebia cerveja, a minha velha casa, o horrível quintal onde o gato da vizinha comeu meu pintinho de estimação. E com o passar dos anos sinto que minha Mos Eisley fica cada vez mais distante. Fico imaginando se Luke visitou Tatooine entre os Episódios V e VI unicamente com o intuito de salvar Han das garras de Jabba, ou se no fundo havia nele um desejo secreto de revisitar a fazenda onde passou a infância...

Acho engraçado o gentílico de Paulo Afonso ser pauloafonsino. Mas andei lendo um bocado sobre a cidade e o que mais me interessou foi o hino. Abaixo, o hino comentado (em vermelho), clique play para ouvir:





Hino de Paulo Afonso
"Paulo Afonso, Cidade de Infinita Beleza"
Letra e música: Oscar Silva / Vilma Silva

Guerreiros que enfrentam a batalha
(Que batalha?)
firmando os pés na terra da magia
(Ah, a batalha de Mordor...)
no rosto o suor, são homens combatentes
("Suor"... concordo.)
que têm nas mãos a força da energia
(De fato, tem a usina lá.)

E erguem a bandeira da coragem
(Pô, todo hino tem isso.)
Com armas empunhadas noite e dia
(Isso é verdade.)
Valentes em ação é um só coração
(Tá.)
Simbolizando a nossa harmonia
(Arma simbolizando harmonia? Hum...)

Nem mesmo a luz do sol
E o pulso deste rio
Conseguiram impedir
Este grande desafio
(O último a desafiar Deus foi o capitão do Titanic...)

Paulo Afonso, Paulo Afonso,
Cidade de infinita beleza
(Bonita é, mas infinita é foda...)
Paulo Afonso, Paulo Afonso,
Criada pela própria natureza
(Jure...)
Paulo Afonso, Paulo Afonso,
Lugar de encantos mil
(Todo hino tem isso, é pra rimar com "Brasil".)
És a capital da energia
Riqueza do nosso Brasil
(Não disse...)

O rio São Francisco é tua origem
Nascendo lá na serra da Canastra
(Canastrão, hein?)
E sobre o solo vem, formando cachoeiras
Iluminando o céu da nossa pátria.
(Cachoeira iluminando o céu?)

Tu és o braço forte que sustenta
(Frase retirada do guia "Como fazer um hino em 10 fáceis lições".)
A fonte inesgotável que não pára
(Mais uma referência à hidrelétrica.)
O brilho da manhã, rasgando
Ao meio o véu
O mundo já conhece a sua glória.
(Exagero.)

Nem mesmo a luz do sol
E o pulso deste rio
Conseguiram impedir
Este grande desafio
(Lembra o que aconteceu com o Titanic, né?)

Em seguida: Mos Aracaju e o seu hino comentado...

sexta-feira, 7 de março de 2008

Minha heroína.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Fragmento do fragmento: "Paradoxo taxonômico".

AQUELE QUE NÃO SABE: "Existem dois tipos de pessoas no mundo: as coerentes e as que sempre entram em contradição."

AQUELE QUE NÃO SABE QUE NÃO SABE: "Errado. Existem dois tipos de pessoas no mundo: as que pensam que o mundo pode ser facilmente classificável em pequenos grupos de pessoas e as que percebem a impossibilidade de tal ato, aceitando o mundo em toda a sua complexidade. Eu, particularmente, me incluo no segundo grupo."

sábado, 26 de janeiro de 2008

Daniel, O Invisível: player com o disco novo.

"Fazendo Kitsch em Ré Menor na Travessa do Último Riso" (2008)

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Daniel, O Invisível: "Mapa Astral" [comentada]

A partir de hoje vou ficar postando as letras das músicas de Daniel, O Invisível, com um player para ouvi-las. E ainda, vou tecer comentários a respeito da música e dos seus significados. Não vou seguir a ordem dos discos pra não ficar previsível demais.

A primeira é "Mapa Astral (ou Tudo ao Revés)", segunda música do disco novo. "Mapa Astral (ou Tudo ao Revés)" é dividida em duas metades distintas: a primeira trata-se de um tango, o brega latino (lembrando que o brega é o objeto de "estudo" desse disco); a segunda parte constitui-se num solo com influências psicodélicas. Na verdade essa idéia de fazer uma música dividida dessa forma é bem antiga... no Mala Mágica tinhamos uma música chamada "O Sol (Não se Move)" que tinha uma estrutura MUITO parecida com "Mapa Astral (ou Tudo ao Revés)".

Quanto ao conteúdo, a música narra as armadilhas de se apaixonar por uma daquelas meninas travestidas de lolita, tatuadas com constelações, pequenas, suburbanas, ou tudo ao revés. O narrador (que eu chamo de "bom vedor", ou bon voyeur) as trata como a personificação do próprio mal; de um mal puro e primitivo. Não tratam-se das Evas de um mundo machista, mas da própria serpente - com suas presas transbordando peçonha.

É claro que o "bom vedor" é a figura ideal de um bobo; de um fraco; de um "pobre rapaz". Os corações temerosos e virginais desses jovens demonizam e transformam em personagem o ardor fulmegante do rebolado sensual dessas "anjinhas".

Rebolado que, ao meu ver, acompanha todo o longo solo de guitarra que fecha a música.

Clique "play" para ouvir.



"Mapa Astral (ou Tudo ao Revés)"
Bruno Barros

Na pele
tem pintado
a sangue tracejos
de um mapa astral.

Tais anjos
se esbaldam nas farças
que brilham nos olhos do
bom vedor.

São mentiras que de perto
soam sublimes ao amador
(em meio a dor).

Quais falácias de tantas
poderiam sobreviver
sem se render
ao mal?

Pequenas,
suburbanas, morenas, alegres,
(ou tudo ao revés).

Secretam
sua peçonha
em mentes impuras,
mas tão banais.

Se esvaem com o vento,
brincam com a sorte
e lhes roubam a paz
(ó pobre rapaz!)

Quais falácias de tantas
poderiam sobreviver
sem se render
ao mal?


Site Oficial: danieloinvisivel.com
MySpace: myspace.com/danieloinvisivel

Daniel, O Invisível, Fazendo Kitsch em Ré Menor na Travessa do Último Riso.

O disco novo de Daniel, O Invisível, já está disponível para download.

Abaixo, uma resenha do disco que saiu no MP3 Magazine:

Segundo a enciclopédia eletrônica Wikipédia, "kitsch é um termo de origem alemã (verkitschen) que é usado para categorizar objetos de valor estético distorcidos e/ou exagerados, que são considerados inferiores à sua cópia existente... Eventualmente, objetos considerados kitsch são também apelidados de brega no Brasil."

Em seu segundo EP, "Fazendo Kitsch em Ré Menor na Travessa do Último Riso", o trio sergipano "Daniel, O Invisível", consegue a façanha de subverter o próprio conceito de kitsch. O novo trabalho pretende desconstruir a música considerada brega (Kitsch), transformando-a em algo moderno e bem acabado. Ou seja, em vez de fazer uma cópia inferior ao original, Daniel transforma música ruim em coisa fina.

O poder alquímico do grupo é realmente surpreendente. Serestas, boleros, tangos e demais gêneros e estilos musicais calcados em dor-de-cotovelo e arranjos de gosto duvidoso recebem programações eletrônicas, teclados e guitarras. Desta forma, "Fazendo Kitsch em Ré Menor na Travessa do Último Riso" empresta uma roupagem atual e melhorada aos gêneros que lhe inspiraram, criando algo totalmente novo.

A sonoridade do disco é etérea e depressiva, expressando musicalmente toda a dor contida nas letras. Ao contrário do que possa parecer, não há qualquer traço de deboche ou escárnio nas composições. Pelo contrário. Daniel não tem medo de soar ridículo e é exatamente isso que empresta veracidade ao seu trabalho. Os caras exploram a música brega com paixão, sem pudores ou preconceitos.

No fim das contas, "Fazendo Kitsch em Ré Menor na Travessa do Último Riso" acaba sendo um excelente trabalho de pesquisa musical e experimentalismo. É como assistir a um show de Nelson Gonçalves, Ângela Maria, Elizete Cardoso e Silvio Caldas, acompanhados pelos Mutantes, numa nave espacial. Não dá pra entender direito o que está acontecendo, mas dá pra curtir muito.

Site Oficial: danieloinvisivel.com
MySpace: myspace.com/danieloinvisivel

sábado, 22 de dezembro de 2007

Tio Bob e seus filhos.

1. Bob Dylan é um gênio.
2. Samuel Rosa cantou mal.
3. Kaolin não fez feio.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Acômico #001: O espirro-código e a verdade.

Sabe quando alguém fala a palavra "mentira" ao mesmo tempo em que finge estar espirrando? Qual a real graça disso? Alguém pode me dizer? Caralho!

Bom, deixa eu me recompor...

Confesso que, aqui, estou partindo do princípio de que essa atitude de chamar alguém de mentiroso através de um falso espirro tenha, em princípio, uma finalidade de ordem cômica. Falo isso porque na totalidade dos casos que presenciei, as pessoas riam daquele que projetava o espirro para, em seguida, o próprio rir de si mesmo; deixando, na maioria dos casos, o alvo do espirro acusatório absolutamente sem graça.

Disso, acredito que o fato do acusado desconcertar-se diante da situação é um forte indício de que a maioria de nós consegue distinguir um espirro original desse espirro que articula verbalmente a palavra "mentira". Então, se de fato somos dotados de tais faculdades de distinção, eliminamos a possibilidade desse espirro falso ter como pretensão o honrado objetivo de alertar uma terceira pessoa das possíveis inverdades contidas na narrativa do acusado.

Se assim fosse, a mensagem passada do espirrador para a humilde vítima das pretensas mentiras do narrador seria a seguinte: "Querido amigo, não deves estar ciente do que está a lhe acontecer, mas na verdade estais sendo vítima de um verdadeiro bandido; refiro-me, claro, ao malévolo narrador ao qual agora escutas com atenção indevida; sua narrativa é recheada de inverdades que visam, como é natural de todas as inverdades, destruir a sua felicidade e, por fim, a sua vida; por isso, presta atenção nesse meu código."

Pensando bem, sejamos mais prudentes nessa análise. Alguém poderia contra-argumentar que ao objetivar tal alerta não necessariamente, em princípio, tal espirro também tomaria por rumo a completa discrição. Em outras palavras, cogitemos a possibilidade daquele que espirra não ter a mínima preocupação em esconder do acusado de mentir a ajuda que está a prestar para a segunda pessoa, que ouve passivamente e, por que não, amigavelmente as supostas falácias. Talvez, assim, a honraria se mantivesse. Pensando assim, o objetivo do espirro falso seria alertar um desatento ouvinte das mentiras do narrador sem preocupar-se com o fato do narrador estar presente e ciente do alerta.

Suponhamos tal possibilidade somente afim de pretender rigidez e seriedade na nossa argumentação. Portanto, ao pensarmos em tal possibilidade, o acusador, ao espirrar, estaria passando a seguinte mensagem para o narrador: "Apesar de estares certo de que estamos caindo passivamente nessa sua história recheada de nojentas inverdades, deverias estar certo de que eu possuo as faculdades mentais necessárias para dar conta não só de identificar suas porcas mentiras, como também de alertar todos os ouvintes através de um falso código que, no fundo, sei que será compreendido também por ti, o que te coloca numa posição de absoluta humilhação diante dos risos daqueles que antes te adoravam, maldito."

Na verdade, a possibilidade ou a impossibilidade do que foi levantado no penúltimo parágrafo em nada afeta a real condição essencialmente acômica do falso espirro. Mesmo que o espirrador saiba que o acusado entenderá sua pseudo-codificação, o falso espirro ainda não deveria provocar a hilaridade, visto que não passaria de uma agressão sem qualquer argumentação dirigida a um atencioso narrador.

Então, porque bananas as pessoas riem desse espirro-código?

Sugiro aqui uma hipótese que origina-se do fato de que são muitas as expressões acômicas que por alguma subversão lingüística perdida no passado vieram a tornar-se hilárias em alguma situação específica. Tal especificidade, no entanto, esvanece-se no tempo, restando apenas o comum ato social de rir de coisas que não fazem sentido nenhum. Tal seria o caso do espirro acusatório. Nesse caso, rimos mais por educação ou por uma miserável pena daquele que espirra enquanto balbucia a palavra "mentira".

Dessas duas possibilidades, sinto-me inclinado a acreditar que o riso se dá mais por pena mesmo. Mas não é uma pena simplória e reduzida à condição de sentimento de conceituação digna de um mini-dicionário escolar. É uma pena que ao mesmo trás consigo também medo e compaixão. Como quando rimos sem vontade da piada contada pelo nosso chefe ou pela nossa recém-conquistada namorada.

Por fim, o verdadeiro código dessa situação que aqui analisamos não reside no espirro, mas no riso daqueles que, no fundo, desprezam aquele que espirrou ao mesmo tempo em que, humilhantemente, tentava verbalizar a palavra "mentira". Dessa forma, a mensagem codificada e emitida por tal riso é a seguinte: "Infeliz e detestável indivíduo que agora finges ser portador de um resfriado, será que não percebes que a mistura que executa entre o ato animal de espirrar e a verbalização da palavra 'mentira' nada mais faz do que colocar-lhe numa posição de total inferioridade diante de nós, detentores de raciocínio claro o suficiente para julgar por conta própria o que desejamos tomar por verdade ou não? Será que não percebes que a verdade não é aquela que nosso amigável narrador emite, ou muito menos aquela que, por clara ineficiência intelectual de tua parte, alerta-nos? A verdade é nada mais o resultado dos nossos filtros mentais; é um caleidoscópio de conexões de realidades distintas, mas indistinguíveis. Portanto, por acreditar que é o máximo que merece, ofereço-lhe o meu riso na esperança de que um dia saia dessa gaiola que criastes para ti mesmo."

domingo, 9 de dezembro de 2007

Beowulf e as malditas mulheres.

Angelina Jolie pronta pra foder (literalmente) Beowulf.

Neil Gaiman e Roger Avery adaptaram o clássico poema Beowulf num filme foda.

A maior diferença entre o poema original e o filme é que o herói, Beowulf, ao invés de ser tratado como o herói clássico (impassível de erro), Gaiman e Avery tiveram a genialidade de entender que o poema é dotado de uma narrativa comprometida, e, daí, desenvolveram um Beowulf cheio de defeitos e, principalmente, mentiroso - que sempre aumentava seus feitos para que os poemas que fizessem sobre ele fossem sempre grandiosos. No filme Beowulf mente a respeito dos seus feitos (mentiras estas que são tratadas como verídicas pelo poema original) e, portanto, ao invés de matá-la, deixa-se cair nas tentações da grande vilã do filme: a mãe de Grendel.

Essa sacada metalinguística fez do filme um alvo dos críticos (que dizem que o filme não é fiel à obra original, mas na verdade nem leram o poema), mas também uma verdadeira obra prima.

Além disso, pude assistir o filme no formato original, digital em 3D (com óculos e tudo). É simplesmente indescritível o quanto o filme é visualmente lindo quando assistido assim.

Quero muito ver de novo.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Muito mais que uma pequena bailarina. Muito.


Eu me lembro da primeira vez que a vi dançar. Juro. Ela era a menor de todas e passeava de um lado para o outro no palco num movimento ordenado. Apesar de ser, desde pequena, uma exímia dançarina, não era exatamente sua habilidade de se expressar através da dança que me chamava a atenção, mas sim o fato de estar vendo uma pessoa tão pesada flutuando como uma pluma. E, pra deixar claro, não me refiro a um peso físico (afinal, na época ela não pesava mais que 20 quilos). Refiro-me a um peso de outra ordem. Paulinha nunca foi leve. Ela está mais para o quilo de chumbo que para o quilo de algodão.

Paulinha carrega em si uma gravidade própria. Seu olhar, seu falar e até seu sorriso é dotado de um pesar. Com todo o orgulho de um irmão admirador, sempre que a olho fico imaginando quantas vidas, quantas informações e quantos sentimentos complexos convivem naquele espaço (e como é possível tal convivência). Admiro-a com toda a força pela inteligência aguçada, pela espirituosidade e por todo conteúdo que - não sei como - carrega consigo.

Disso, afirmo: é um contraste vê-la no palco. Um contraste delicioso, curioso, necessário. E é por isso que é tão terrível não estar, pela primeira vez, presente na sua apresentação anual. Não vou ficar aqui dizendo que estarei lá de coração - o que é verdade, mas também é barato. Quero só deixar claro que é foda pra caralho não poder vê-la bailar no seu peso esquivo. Não poder fazer-lhe fotos. Não poder abraçar-lhe e dizer você estava ótima, parabéns baixinha.

Você faz uma falta sem tamanho. E quando estou aí diverte-me o coração a sua falta de jeito na hora de dizer que também sente a minha falta. Te amo, pequena. Muito.

Pra ti: