terça-feira, 18 de outubro de 2005

Porteiros-macacos & o behaviorismo.

Uma experiência clássica do behaviorismo de Pavlov e B. F. Skinner:

Em uma jaula foram colocados 4 macacos. De tempos em tempos, na subidade de uma rampa, eram colocadas bananas. Porém, quando algum dos animais tentasse subir na rampa e alcançar as bananas, todos seus companheiros eram punidos com um choque elétrico.

Depois de um determinado período, os 4 macacos pararam de tentar pegar as bananas; Então, um dos macacos foi retirado. Em seu lugar, entrou um novo macaco que não conhecia o ambiente. A primeira coisa que ele fez, quando colocaram o alimento a disposição, foi tentar pegá-lo. No entanto, não foi preciso acionar o choque, pois os outros macacos simplesmente o agrediram tantas vezes que ele desistiu de pegar o alimento.

O mesmo procedimento foi repetido para os 3 macacos antigos restante, até todos serem substituídos. Mesmo com 4 macacos novos na jaula, que nunca levaram um choque, as coisas continuaram acontecendo como antes, os macacos sempre agrediam aquele que tentasse pegar as bananas, mas obviamente nunca souberam porque estavam fazendo aquilo.


Um pouco sobre a experiência "A Gaiola de Skinner":

Skinner colocou numa gaiola um bando de pombos famintos. Nessa gaiola havia um dispositivo automático que de tempos em tempos depositava comida para os pombos. Por algum motivo os pombos passaram a desenvolver hábitos e movimentos repetitivos. Alguns giravam a cabeça em sentido horário, outros balançavam o corpo para frente e para trás, etc. Por alguma razão os pombos associavam seus movimentos ao fato da comida estar sendo entregue, embora uma coisa não estivesse relacionada com a outra. Criou-se, então, nos pombos, um comportamento supersticioso, que é relativamente comum em seres humanos: como quando se faz figa no dedo na esperança de que esse gesto faça com que aquele esperado gol do seu time finalmente saia, embora uma coisa não esteja relacionada a outra.

Um pouco sobre o que está acontecendo aqui no condomínio:

Todos os porteiros receberam um dispositivo eletrônico e foram instruídos para acionar uma chave ligada a esse dispositivo em 6 outros dispositivos espalhados pelo condomínio: um na garagem, um na garagem subterrânea, um no playground, um no 12º andar de um dos prédios, outro no 12º andar do outro prédio e o último na portaria. Esses 6 pontos devem ser acionados de hora em hora.

Ou seja:

A cada hora um dos porteiros tem que acionar essa chave que carregam pelos 6 pontos espalhados nos prédios; na hora seguinte cabe ao próximo porteiro fazê-lo. Assim, alternam-se sucessivamente; 24h por dia! E sem saber exatamente porque o fazem.

Intrigante, não? Quem gosta de Lost deve estar com mil teorias na cabeça agora...

segunda-feira, 17 de outubro de 2005

O Jardineiro Fiel.

Ontem assisti O Jardineiro Fiel, o novo filme de Fernando Meirelles (o diretor de Domésticas e Cidade de Deus). Sim, Meirelles está ingressando no mercado Hollywoodiano. O Jardineiro Fiel é estrelado por Ralph Fiennes (mais conhecido como "O Paciente Inglês") e sua temática é, como nos outros dois filmes de Meirelles, sobre exclusão social. Em O Jardineiro Fiel a trama se desenrola num clima de suspense, revelando uma teoria da conspiração global contra a Africa. O filme, de modo geral, é muitíssimo bem executado; feito pra ganhar Oscar. No entanto, o ponto fraco do filme reside no roteiro (que não é de Meirelles): O clima dark e opressor do filme não guarda espaço no roteiro para comic reliefs; e acredito que devido a isso, há um momento em que o filme torna-se cansativo. Cidade de Deus e, principalmente, Domésticas, eram recheados de momentos cômicos que funcionavam como válvula de escape do mundo sujo dos excluídos sempre abordado por Meirelles. Em O Jardineiro Fiel não temos a chance de respirar aliviado por nenhum momento. O filme é, como disse antes, opressor. Até filmes pesados (e com temática parecida) como Hotel Ruanda possui momentos cômicos.

De qualquer forma, O Jardineiro Fiel é uma grande filme. A construção do personagem de Fiennes (o embaixador Justin Quayle) é perfeita. Funciona esquematicamente como um conta-gotas; de tempos em tempos vemos o personagem crescendo; evoluindo; tornando-se aquele que se mostraria tão duro e seco... o que torna o final do filme totalmente plausível. Melhor ainda é o jogo mental que Meirelles esquematiza na construção da personagem Tessa Quayle (esposa de Justin). Não lembro de ter visto nada parecido antes. O público muda a forma como se vê Tessa à mercê do diretor. Nos sentimos num jogo. É ótimo.

Não deixem de ver.

[Adult Swim] é foda!

Sextas, sábados e domingos das 22h da noite às 05h da manhã passa [Adult Swim] no Cartoon Network. [Adult Swim] é uma seção especial do canal voltada para o público adulto. Os desenhos são ótimos; completamente nonsense e bizarros. Meus personagens favoritos são Harvey, O Advogado (ex-Homem Pássaro) e Zorak (o louva-deus ex-inimigo de Space Ghost). No primeiro episódio do Show do Brak, Zorak torna-se um pop-star e canta algumas pérolas ridículas, como:
Meu coração
só guarda ódio
e coisas fúteis
ao ver vocês assim,
com essas caras de inúteis.


Melhor ainda são as frases completamente fora de contexto de personagens bisonhos como o pai de Brak: "Vou te dar um ovo colorido".

sábado, 15 de outubro de 2005

Previsão 01.

Hoje eu vou beber
para provocar o caos,
a desordem e a anarquia.
Vou atingir o grau de loucura.

Pode ser noite ou dia,
pinga pura ou caipirinha,
eu não faço restrição,
eu quero o caos, badernação.

Desce mais uma, Durval.
Desce mais uma, Durval.
Mais uma, por favor!


(letra de "Por Um Rock And Roll Mais Alcoolatra e Inconsequente" da divertida banda carioca Rock Rocket)

sexta-feira, 14 de outubro de 2005

[Classificados Banheirísticos] Homem quer mastubar eqüinos.

Porta de uma das cabines do banheiro da nova praça de alimentação do Shopping Jardins / Foto: Tio BOB.

Saudade das minhas lembranças do show de ontem.


Nervoso / Foto: Tio BOB

Às vezes sou modesto. Sempre sou bobo. Ver um show de Nervoso estava no meu TOP 5 de SHOWS QUE TENHO QUE VER. Ontem realizei esse sonho da melhor forma possível: dividindo o mesmo palco, camarim e caixas de cerveja.

A noite começou com Alex Sant'anna; Em seguida Os Verdes tocou um curtíssimo show (se demorar muito fica maduro); Depois Nervoso subiu no palco. Que show! Com certeza está no meu TOP 3 de MELHORES SHOWS QUE JÁ VI (brigando com Gram e Los Hermanos pela primeira posição).

Tive até meu momento tiete, voltando para casa com "Saudade das minhas lembranças" autografado!

terça-feira, 11 de outubro de 2005

Risada espanhola.

Você sabia que ao invés de rirem com "hehehe" os espanhóis riem com "jejeje". Dá até medo. Pense numa pessoa do outro lado do PC rindo bem alto: "Jé, jé, jé!"

terça-feira, 4 de outubro de 2005

Heróis: Ariadne & Teseu.

Ser herói assusta. A aventura por vir espreita-me todas as noites. Chego a sentir pavor. Por outro lado, trata-se de um medo menor que aquele que sinto quando me olho no espelho e não vejo o herói que penso ser; o garoto à espera do Chamado. Prefiro, aflito, entender que ainda vivo em Tatooine, no Condado, na Rua dos Alfeneiros. Prefiro acreditar, embora mergulhado em dúvidas, que serei iluminado por Obi-wan, Gandalf, Dumbledore. Duvido que a vida se feche por aqui. Ser herói de esquina seria dose. Como Luke e seu Pai, Frodo e Sauron, Harry e Voldemort, quero ter a chance de enfrentar meu Minotauro no final do labirinto. E, invariavelmente, como me promete os mitos, vencer.

Estava lendo pela octogésima vez o capítulo introdutório de “O Herói de Mil Faces” de Joseph Campbell. Senti, como nas sete ultimas vezes, aquela sensação de estar inserido num todo; De que ainda me é possível, mesmo beirando um quarto de século de idade, ser um bobo, mas satisfeito, vencedor.

Que diabos estás falando?, você poderia, tranqüilamente, questionar. Não sabes que estamos todos fadados à derrota? Ou já ouvistes falar de alguém que escapou da Morte? Então, pacientemente, reflito e respondo: Deixando Lázaro e Cristo de lado, não posso deixar de concordar que realmente não é habitual ouvir notícias sobre ressurreições. A Morte é, de fato, o ponto final. No entanto não a vejo como engolidora de vitórias; como motivo para não se buscar vencer. A Morte pode ser um game over frustrante, onde se perdeu muito tempo nas primeiras e ordinárias fases de um jogo; mas pode ser também o fim deste jogo, onde todas as fases foram competentemente visitadas, destrinchadas e superadas. E, até que provem o contrário, eu sou do tipo que gosta de zerar aquilo que jogo, ou, no mínimo, chegar muito próximo do final.

Em “O Herói de Mil Faces” Campbell, explanando sobre a presença da mitologia nos sonhos, sabiamente afirma que o sonho é o mito personalizado; o mito, por sua vez, é o sonho generalizado. Então, refletindo nesse entendimento, questiono: Se o mito está em nós e nós estamos no mito, qual o elemento que define quem são os heróis e quem não são? Qual o fator determinante? O fator está em nós ou está no ar; no etéreo?

Tenho certeza que Joseph Campbell sentia-se exatamente como me sinto quando, narrando sobre a história de Teseu e Ariadne (o herói que matou o Minotauro e sua noiva que o ajudou a superar o labirinto), se questionou:

“Apenas àqueles que não conhecem nem um chamado interno, nem uma doutrina externa, cabe verdadeiramente um destino desesperador; falo da maioria de nós, hoje, nesse labirinto fora e dentro do coração. Ai de nós! Onde está a guia, essa afetuosa virgem, Ariadne, para nos fornecer o Minotauro e, depois, os meios para encontrarmos nosso caminho para a liberdade, quando o mostro tiver sido encontrado e morto?”

Mais tarde, Campbell me enche de esperança:

“Temos apenas que seguir o fio da trilha do herói. E ali onde pensávamos encontrar uma abominação, encontraremos uma divindade; onde pensávamos matar alguém, mataremos a nós mesmos; onde pensávamos viajar para o exterior, atingiremos o centro da nossa própria existência; e onde pensávamos em estar sozinhos, estaremos com o mundo inteiro”.


Ariadne & Teseu

segunda-feira, 3 de outubro de 2005

Cinema coreano.

Voltei não faz muito tempo da pré-estreia de Hotel Ruanda. Trata-se de um magnífico filme sul africano que conta a história verídica de Paul Rusesabagina, um ruandês que arriscou a própria vida refugiando, num hotel onde era gerente, sobreviventes da guerra dos Hutu contra os Tutsis. Gostei tanto que estou pensando em assistir novamente semana que vem quando entrar oficalmente em cartaz.

De qualquer forma, o post de hoje não é sobre cinema sul africano. Longe disso. Faz um tempo venho me interessado pelo cinema asiático - mais especificamente pelo cinema coreano. Ainda estou engatinhando no assunto, mas já me considero familiarizado com a estética asiática de fazer filme. Comecei assistindo o mainstream coreano: as comédias de Stephen Chow. Que de tão pop estão fazendo um sucesso enorme em terras americanas.

Tenho quatro dos sete filmes que Stephen Chow escreveu, dirigiu e protagonizou: Gong Fu (Kung Fu Hustle / Kung Fusão), Siu lam juk kau (Shaolin Soccer / Shaolin Futebol Clube), Hei kek ji wong (The King of Comedy) e Daai laap mat taam 008 (Forbidden City Cop). Destes só não assisti Forbidden City Cop, mas o farei em breve.

Os filmes de Chow são engraçadíssimos e refletem com nitidez o característico humor nonsense oriental, tão presente nos desenhos animados japoneses. E como hoje em dia é moda gostar de animes, não surpreende que Kung Fu Hustle tenha sido um sucesso de bilheteria nos EUA. Acredito que o que faz o humor de Chow tão engraçado para os ocidentais é exatamente o fato que o grande público está tão acostumado com as fórmulas desgastadas do humor hollywoodiano que quando surge novas facetas do humor, o público ri de chorar do início ao fim do filme.

E o resultado dessa consagração de Stephen Chow nos EUA já mostra resultado: Kung Fu Hustle 2 está em produção. Agora é rezar para que Chow mantenha o nível.

Venho acompanhando também a carreira do diretor Chan-wook Park. Uma boa maneira de resumir Park é com a seguinte frase: Quentin Tarantino idolatra-o. Assisti dois filmes excelentes de Park: Oldboy e Boksuneun naui geot (Sympathy for Mr. Vengeance). Ambos filmes são bastante violentos (do jeito que Tarantino gosta) e tem como tema principal a vingança.

Quero aproveitar esse espaço, então, para dar-lhes uma dica de grande valor: dia 08 e 09 desse mês, às 11h da manhã, Oldboy estará passando no Moviecom. Não dá pra perder. Embora já tenha assistido, vou comparecer de certeza. Oldboy conta a história de Dae-su Oh, um homem que, de repente, acorda num apartamento desconhecido. As portas e as janelas estão completamente vedadas. E, uma vez por dia, uma mão através de uma portinhola, deixa-lhe um prato de comida.

Oldboy, no final das contas, é um filme mais divertido (e mais fácil) de se ver que Sympathy for Mr. Vengeance. Mas acredito que o estilo pessoal de Chan-wook Park está muito mais impresso em Sympathy for Mr. Vengeance que em Oldboy. De qualquer forma, estou ansioso para ver o novo Sympathy for Lady Vengeance (que ainda não achei para baixar).

Vou terminar o post falando do engraçado Yeopgijeogin geunyeo (My Sassy Girl), o primeiro filme de Jae-young Kwak. My Sassy Girl é uma comédia romântica coreana baseada em fatos reais; Pra falar a verdade, foi baseada num blog de um garoto chamado Ho-sik Kim. Nesse blog, Kim narrava seu relacionamento com sua namorada.

O filme é um balde de clichês (como toda comédia romântica), mas ainda assim consegue ser infinitamente superior aos filmes do mesmo gênero produzidos em Hollywood. Eu não sei o porquê exatamente. Talvez seja a interpretação coreana que o faça tão mais divertido. Talvez seja a língua. A língua falada no Coréia é tão cantada e expressiva que não tem como não se apaixonar logo de cara pelos personagens. Até o italiano (uma das línguas mais expressivas foneticamente) torna-se frio perto do coreano.

O próximo filme que vou assistir chama-se 2046 de Kar Wai Wong. Não sei ainda sobre o que é, mas assim que descobrir conto pra vocês aqui no blog.

PS. Lembrem de Oldboy sábado e domingo que vem no Moviecom.

sábado, 1 de outubro de 2005

Burrice + armas de fogo = merda gigantesca.

Eu sei. Não é a solução. Nunca pensei que fosse. Votar a favor do desarmamento não vai reduzir a bandidagem, mas vai reduzir sim a criminalidade. Assaltos, estupros e sequestros continuarão existindo. Os bandidos continuarão armados. Eu sei disso. No entanto, não há como negar que a criminalidade como um todo vai reduzir consideravelmente. Muita gente mata não por ser bandido, mas por estar com uma arma na mão naquele momento de raiva. A criminalidade doméstica cairá drasticamente se houver o desarmamento; Aquele marido traído já não mais vai disparar dois tiros na cabeça da sua esposa; Aquele amigo que perdeu na sinuca e te acusou de trapaça já não vai mais atirar em você.

Votar "não" é a mesma coisa que ser a favor da cota para negros em universidades. É um paliativo. É transferir para população uma responsabilidade que pertence unicamente à polícia: a defesa civil. Votar "não" é ignorância. É desespero. É não usar a razão. Votar "não" permitirá que aquele bandido que só compra sua pistola através de fortes esquemas de contrabando possa ir nas Lojas Americanas comprar seu rifle favorito dividido em 12x sem juros.

Seria uma grande pena ver o armamento generalizado da população brasileira. 180 milhões de ignorantes armados. Pensem na merda. Sinceramente, eu me sinto mais seguro se só os bandidos estiverem armados.

VOTEM "SIM" PELO DESARMAMENTO.

E leiam mais a respeito nesse link: http://www.referendosim.com.br/


PS: Só pra fechar o post, vejam que absurdo a nojenta revista VEJA fez essa semana.